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Golpe do delivery: falsos funcionários se passam por equipe da Keeta e miram restaurantes da Baixada

Grupo com crachás falsos mobiliza Polícia Civil e preocupa empresários no litoral de SP
Golpe do delivery: falsos funcionários se passam por equipe da Keeta e miram restaurantes da Baixada

Poucos dias após o início das operações da Keeta, novo aplicativo de delivery em atividade no litoral de São Paulo, a Polícia Civil abriu investigação para apurar a atuação de grupos que teriam se passado por funcionários da empresa. O VTV News apurou que ao menos cinco estabelecimentos foram abordados por pessoas sem vínculo com a plataforma.

Segundo a autoridade policial, o inquérito está a cargo da 3ª Delegacia de Polícia (DP) de Santos, que investiga a atuação de pessoas que se apresentavam como representantes da plataforma para coletar dados de restaurantes locais. O grupo exibia crachás falsos, fazia perguntas detalhadas sobre o funcionamento interno e chegou a registrar fotos dos espaços.

Em um dos comércios, a gerente – que não será identificada – relatou que o grupo apareceu próximo ao horário de almoço e demonstrou conhecer a rotina do local. “Falaram em pesquisa, mas depois pediram informações muito específicas sobre preços e operação. A gente estranhou e percebeu que tinha algo errado”, contou (entenda o caso e veja imagens a seguir).

O modus operandi dos falsos representantes

De acordo com as denúncias, os falsos representantes chegavam em grupos de até dez pessoas, sempre entre 12h e 13h – horário de maior movimento e com menos funcionários disponíveis. Apresentando-se como integrantes da equipe de integração da Keeta, exibiam crachás falsos e diziam estar no local para “ajustar informações” na plataforma.

Em alguns casos, afirmavam realizar uma “pesquisa de campo” sobre o desempenho de restaurantes em aplicativos de delivery. Durante as visitas, faziam perguntas detalhadas sobre pedidos, cardápios, formas de pagamento e taxas de comissão. Houve ainda situações em que o grupo solicitou acesso a dados de treinamento e à área operacional das cozinhas.

Segundo a empresa chinesa Meituan, que administra a Keeta, as informações coletadas poderiam ser usadas para mapear o funcionamento interna e comprometer sua estrutura de atuação no país. Uma das comerciantes enganadas, microempreendedora de 62 anos, contou que o grupo chegou ao seu restaurante na tarde de quinta-feira, 31 de outubro.

“Tiraram foto de tudo. Me senti enganada”

“Disseram que era uma pesquisa. Primeiro citaram o nome de uma moça com quem a gente realmente vinha tratando. Por isso, deixamos entrar”, relembra a comerciante. Os falsos representantes, com traços asiáticos, fotografaram o interior do restaurante e pediram informações sobre preços, combos promocionais e processos internos (veja acima).

“A minha sorte é que eu não cuido da parte financeira”, desabafa. “Foi o primeiro golpe que passei. Me senti enganada”. Segundo ela, o episódio coincidiu com um erro no sistema: “No mesmo dia, a loja apareceu como ativa no aplicativo, mesmo sem autorização. A gente só ia começar na terça seguinte, ainda estava acertando tudo. Foi muito estranho”.

O grupo permaneceu cerca de 30 minutos no local e, sem seguida, partiu para outro estabelecimento. Para a empresária, o episódio abalou a confiança em relação à nova plataforma. “A gente quer continuar, mas depois desse susto fica difícil. O medo é que apareçam outros dizendo que são da empresa. A gente já não sabe mais em quem confiar”.

“Eles não se constrangem, sabem que estão sendo filmados”

Outro empresário, de 58 anos, dono de um restaurante tradicional da cidade, também recebeu o grupo, mas duas vezes. “Na primeira, [em 30 de outubro], chegaram dizendo que eram da Keeta. Nossa funcionária deixou eles entrarem atrás do balcão, olharam o sistema e fizeram várias perguntas. Até então, não achamos nada de anormal”, conta.

Dias depois, o grupo retornou. “Eles não ficam constrangidos, sabem que estão sendo filmados. Ficaram perguntando quantos pedidos saem por dia, quantos pratos, essas coisas todas. Não sabemos com quem estamos lidando”, relata. O comerciante afirma que, ao ser alertado pela Keeta, orientou a equipe a acionar a polícia em caso de nova tentativa.

“A instrução é pegar o crachá e ligar para a polícia. Vamos entregar as imagens. Mas o problema é que ninguém sabe o que eles querem. Se é clonar o estabelecimento, prejudicar a concorrência ou ameaçar alguém. Está tudo muito obscuro”, disse o empresário em entrevista anônima e exclusiva ao VTV News nesta sexta-feira (7).

Posicionamento oficial e investigação

Por meio de nota, a Keeta informou que colabora com as autoridades e orienta os restaurantes parceiros a confirmarem a identidade de qualquer visitante diretamente com seus gerentes de conta. “Os restaurantes possuem equipes definidas e dedicadas às suas operações”, destacou a empresa.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) confirmou que o pedido de instauração de inquérito foi encaminhado à 3ª Delegacia de Polícia de Santos, responsável por analisar a documentação e verificar possíveis indícios de crime.

Já o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Baixada Santista e Vale do Ribeira (SINHORES) afirmou que, até o momento, não foi notificado formalmente por associados nem pela Keeta sobre o caso.


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Autor

  • Renan da Paz

    Jornalista com três anos de experiência em comunicação multiplataforma, com atuação em televisão (apresentação, reportagem, produção, direção, roteirização e edição), assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes sociais. Atualmente, é produtor na VTV SBT e repórter web do VTV News.

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