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ONU, ameaças à Colômbia e cooperação com vice: entenda a situação da Venezuela

Operação militar norte-americana gera reação global e leva Conselho de Segurança a se reunir nesta segunda, com participação do Brasil
ONU, ameaças à Colômbia e cooperação com vice: entenda a situação da Venezuela

O Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta segunda-feira (5) para discutir a operação militar que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, por tropas dos Estados Unidos, em Caracas. A sessão emergencial foi solicitada pela própria Venezuela, com intermediação da Colômbia, que acaba de assumir assento como membro não permanente no conselho.

O ataque militar ocorreu no sábado (3), após ofensiva liderada pelo presidente norte-americano Donald Trump, que autorizou a entrada de tropas americanas no território venezuelano sob o argumento de combater o narcotráfico.

A operação durou poucas horas e foi batizada de Resolução Absoluta. O Brasil participará da reunião, marcada para as 12h (horário de Brasília).

ONU, ameaças à Colômbia e cooperação com vice: entenda a situação da Venezuela (Foto: Reprodução / UN)
ONU, ameaças à Colômbia e cooperação com vice: entenda a situação da Venezuela (Foto: Reprodução / UN)

A captura de Maduro elevou os ânimos da tensão diplomática. A secretária-geral do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Maria Laura da Rocha, confirmou a presença brasileira na reunião, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou nota classificando o ataque como uma “afronta gravíssima à soberania” da Venezuela e um ato que ultrapassa “uma linha inaceitável”.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou estar “profundamente alarmado” com a escalada do conflito e alertou para os riscos de um precedente perigoso. “Independentemente da situação na Venezuela, tais acontecimentos constituem um precedente perigoso”, declarou, em comunicado divulgado no sábado.

Maduro será apresentado à Justiça americana

Nicolás Maduro e Cilia Flores serão levados a julgamento nos Estados Unidos. A audiência está marcada para as 14h (horário de Brasília) desta segunda-feira, no Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan, em Nova York. Eles foram transferidos do Forte Tiuna, base militar onde estavam abrigados, diretamente para território americano.

De acordo com a imprensa norte-americana, a ofensiva deixou ao menos 80 mortos — entre civis e militares venezuelanos — sem registro de baixas entre as tropas dos EUA. A operação, embora sustentada por acusações de envolvimento com o tráfico de drogas, gerou novas declarações de Trump que indicam interesse estratégico americano nas reservas de petróleo venezuelanas.

Presídio que Maduro ficará recebeu El Chapo e P. Diddy; saiba onde é
Presídio que Maduro ficará recebeu El Chapo e P. Diddy; saiba onde é (Foto: Divulgação)

Vice-presidente assume governo interino

Com a deposição de Maduro, o Tribunal Supremo da Venezuela nomeou a então vice-presidente Delcy Rodríguez como chefe de Estado interina. Em carta pública divulgada no domingo (4), Rodríguez adotou um tom conciliador, defendeu o “direito da Venezuela à paz” e convidou o governo dos EUA ao diálogo. “A região merece paz e diálogo, não guerra”, escreveu, ao reforçar que o país busca um relacionamento “baseado na legalidade internacional”.

Apesar do gesto diplomático, Rodríguez reiterou a oposição ao ataque americano e alertou que a Venezuela manterá sua integridade institucional.

Tribunal Supremo da Venezuela nomeou a então vice-presidente Delcy Rodríguez como chefe de Estado interina (Foto: Divulgação / SBTNews)
Tribunal Supremo da Venezuela nomeou a então vice-presidente Delcy Rodríguez como chefe de Estado interina (Foto: Divulgação / SBTNews)

Trump ameaça Colômbia e volta a falar sobre Groenlândia

Em declarações feitas no Air Force One, Trump ampliou as ameaças a outros países da América Latina. O presidente afirmou que a Colômbia estaria “muito doente” e acusou o governo de Gustavo Petro de produzir e comercializar cocaína. Questionado sobre a possibilidade de nova ação militar, Trump respondeu: “Parece bom para mim”.

A Colômbia, junto a Brasil, Uruguai, Chile e México, assinou uma carta de repúdio à ação americana, rejeitando “qualquer tentativa de controle externo dos recursos naturais venezuelanos”. Em resposta, Trump também citou o México, criticou a atuação da presidente Claudia Sheinbaum e insinuou que ela teria recusado apoio militar americano por estar “um pouco com medo”.

Gustavo Petro Urrego, presidente da Colômbia na ONU (Foto: Reprodução / UN)
Gustavo Petro Urrego, presidente da Colômbia na ONU (Foto: Reprodução / UN)

Já sobre Cuba, o presidente norte-americano afirmou que “não será necessário uso de força”, pois o país “vai simplesmente cair”. Na mesma entrevista, Trump voltou a citar o interesse dos EUA em anexar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, por razões geopolíticas e estratégicas.

“Precisamos da Groenlândia para garantir a segurança nacional, e a Dinamarca não está em condições de fazer isso”, declarou.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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