O empresário Tiago Gomes de Souza, de 39 anos, foi condenado a 27 anos de prisão, em regime inicial fechado, pela morte do idoso Cesar Fine Torresi, de 77 anos, após uma ‘voadora’ no peito durante uma briga de trânsito em Santos, no litoral de São Paulo. O julgamento foi concluído na madrugada desta quarta-feira (14).
A decisão foi tomada pelo Tribunal do Júri após mais de 12 horas de sessão no Fórum Criminal da Barra Funda, na capital paulista. Segundo o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), o júri teve início na tarde de terça-feira (13) e avançou pela madrugada devido ao número de testemunhas ouvidas.
Tiago já estava preso preventivamente desde a época do crime e, com a condenação, seguirá cumprindo pena no sistema prisional. O caso teve ampla repercussão na Baixada Santista e mobilizou familiares, autoridades e a opinião pública. No entanto, segundo o TJ-SP, a defesa ainda pode recorrer da decisão.
Crime registrado por câmeras
O crime ocorreu no dia 8 de junho de 2024, na Rua Pirajá da Silva, no bairro Aparecida. Segundo o boletim de ocorrência, Cesar atravessava a via entre carros parados no trânsito, acompanhado do neto, de 11 anos.
Durante a travessia, Tiago, que dirigia um carro, freou bruscamente. O idoso se apoiou no capô do veículo e, logo em seguida, o empresário desceu do automóvel e desferiu uma voadora contra a vítima (veja abaixo).
Toda a agressão foi presenciada pelo neto de Cesar e registrada por uma câmera de monitoramento instalada na região. O idoso sofreu três paradas cardíacas em decorrência das lesões e não resistiu.
Prisão
Após o ataque, Tiago fugiu do local e se escondeu em um mercado nas proximidades. Ele foi localizado pela Polícia Militar (PM) pouco tempo depois e preso em flagrante. Durante a reconstituição do crime, o empresário chorou, ajoelhou-se e pediu desculpas à família da vítima.
O Ministério Público sustentou que a violência empregada foi desproporcional e letal, destacando a idade avançada da vítima e o fato de o crime ter ocorrido diante de uma criança.
Teses rejeitadas pelo júri
Denunciado por homicídio qualificado, Tiago teve a ida a júri popular determinada pela Justiça em novembro de 2024. A decisão foi mantida em segunda instância, em março de 2025. O julgamento foi transferido de Santos para São Paulo a pedido da defesa, que alegou risco à imparcialidade dos jurados em razão da repercussão.
Durante o júri, a defesa pediu a desclassificação do crime para lesão corporal seguida de morte e alegou que o réu agiu em um momento de “ataque de fúria”. As teses, no entanto, foram rejeitadas pelos jurados, que entenderam que houve dolo eventual e confirmaram a condenação a 27 anos de prisão.