A menina de quatro anos que foi estuprada pelo próprio avô após passar um fim de semana na casa do pai, em São Paulo, foi orientada a não contar o ocorrido à mãe. Segundo o boletim de ocorrência (BO), ao tomar conhecimento do abuso, o pai “repreendeu verbalmente” o idoso, mas não comunicou o crime às autoridades.
O caso aconteceu no último 21 de fevereiro, em um apartamento na Vila Maria, na capital paulista. Conforme o registro policial, os pais da menina estão separados há cerca de três anos, e a criança vive com a mãe, em São Vicente, na Baixada Santista. Como acordo, a cada 15 dias, ela passava os fins de semana com o pai.
Entretanto, após retornar da última visita, a menina teria apresentado mudanças no comportamento, como tristeza e retraimento. Ao ser questionada, contou que foi tocada de forma libidinosa pelo avô, um médico de 76 anos. Ainda segundo o relato, o pai chegou a dizer que o homem “não poderia fazer aquilo”.
Pai e avô paterno investigados
A criança também relatou medo de que o avô repetisse o abuso e “voltasse a lhe fazer mal”. Diante disso, a mãe buscou atendimento médico, além de orientação jurídica e psicológica, sendo encaminhada à Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania de São Vicente. O caso foi registrado na Delegacia de Polícia, no dia 6.
Foi expedida guia para exame no Instituto Médico Legal (IML), e a mãe foi informada sobre as medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha. Ela solicitou a concessão de proteção de urgência. Conforme o BO, protocolado como estupro de vulnerável, tanto o pai quanto o avô paterno são investigados.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) informou que uma equipe da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) cumpriu o mandado de prisão na sexta-feira (13). O idoso estava foragido, foi localizado em um apartamento no bairro Jardim Paulista, na Capital, e encaminhado ao 78º Distrito Policial (DP).
Como denunciar
A exploração sexual de crianças e adolescentes é crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Qualquer pessoa que tenha conhecimento de casos de abuso ou exploração pode agir imediatamente, ajudando a proteger a vítima e responsabilizar os envolvidos.
Uma das formas mais rápidas de denunciar é pelo Disque Direitos Humanos – Disque 100, serviço público que funciona 24 horas por dia, todos os dias, de qualquer telefone fixo ou móvel. A ligação é gratuita e garante que a denúncia seja recebida e encaminhada aos órgãos competentes.
O Disque 100 atua como um “pronto-socorro” dos direitos humanos, atendendo casos de exploração sexual, violência e outras violações contra crianças e adolescentes. O serviço também orienta sobre programas de proteção e sobre como acionar autoridades para garantir a segurança da vítima.
Foto de capa: reprodução e Polícia Civil