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CPMI do INSS expõe fraudes, vira pizza e o aposentado paga a conta

Comissão termina sem respostas enquanto fraudes, mudanças na pensão e regras mais rígidas afetam aposentados e pensionistas
Fachada de agência do INSS contextualizando a fragilidade do sistema previdenciário e investigações de fraudes.

A CPMI do INSS, encerrada em março de 2026 sem a aprovação de um relatório final, recolocou no centro do debate um tema que afeta milhões de brasileiros: a fragilidade do sistema previdenciário diante de fraudes, descontos indevidos e empréstimos consignados não autorizados. Criada para investigar irregularidades em benefícios de aposentados e pensionistas, a comissão terminou sem apresentar respostas concretas.

Apesar de conhecidas há menos tempo, as fraudes dialogam com um problema estrutural: o custo crescente da Previdência. É nesse contexto que se insere a reforma de 2019. Sempre que a conta previdenciária pressiona o orçamento público, aumenta também a tendência de endurecimento das regras, quase sempre com a conta pesando no bolso de quem depende de aposentadoria ou pensão.

Triste exemplo

A pensão por morte é o exemplo mais cruel, a mudança foi profunda.

  • Para óbitos ocorridos a partir de 14 de novembro de 2019, o valor deixou de corresponder, como regra, à integralidade do benefício do segurado falecido.
  • A pensão passou a ser calculada com uma cota familiar de 50%, acrescida de 10% por dependente, até o limite de 100%.
  • Na prática, a alteração reduziu o valor pago em muitas famílias, sobretudo quando há apenas um dependente.
  • Além disso, ainda persiste a percepção de que a pensão é sempre vitalícia, o que não corresponde à regra atual.
  • Para cônjuge ou companheiro, se o segurado não tiver feito ao menos 18 contribuições mensais, ou se o casamento ou união estável tiver menos de dois anos, a duração do benefício pode se limitar a quatro meses.
  • Nos demais casos, o tempo de recebimento varia conforme a idade do dependente, podendo ir de três anos até o caráter vitalício. No último caso, hoje restrito, em regra, a quem tem 45 anos ou mais na data do óbito do segurado.
  • Também houve impacto nas hipóteses de acumulação. Hoje, é possível, por exemplo, receber aposentadoria e pensão ao mesmo tempo, mas a reforma de 2019 alterou as regras desse acúmulo, reduzindo a vantagem econômica em muitos casos.
  • O sistema, portanto, tornou-se mais restritivo, mais técnico e menos intuitivo para o cidadão comum.

Fica o alerta

Como se não bastassem as mudanças legais, aposentados e pensionistas ainda precisam lidar com um ambiente crescente de fraudes. O governo já alertou para golpes envolvendo falsas promessas de ressarcimento, links suspeitos, mensagens por aplicativo e abordagens relacionadas a descontos ou empréstimos não solicitados.

Portanto, desconfie de contatos inesperados, não forneça dados pessoais, não clique em links recebidos por mensagem e sempre confirme informações pelos canais oficiais, como o Meu INSS e a Central 135. Comunicações por WhatsApp, quando oficiais, partem de contas verificadas do Gov.br, sem cobrança de taxas e sem solicitação de dados sensíveis.

A lição é dura, mas clara. Quanto maior o custo da Previdência, e quanto maior o desperdício provocado por fraudes, maior é a probabilidade de novas reformas, com regras mais severas para concessão e cálculo de benefícios, reduzindo o nível de proteção social. No fim, a conta tende a chegar primeiro para quem depende do INSS para sobreviver.

No Brasil de hoje, proteger a Previdência significa duas coisas: responsabilidade nas contas públicas e combate efetivo às fraudes que atingem justamente os mais vulneráveis.

Sem esse equilíbrio, a pensão encolhe, a insegurança cresce e o aposentado continua pagando a conta duas vezes.


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Autor

  • Cleiton Leal

    Advogado | Mestre em Direito Ambiental
    Professor de Direito do Trabalho e Previdência Social e Complementar
    Presidente da Comissão de Prerrogativas da OAB – Câmara Trabalhista
    Especialista em assuntos do mundo do Trabalho e da Seguridade Social

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