A coluna da semana passada foi uma das mais lidas e comentadas desde que comecei a escrever neste espaço, mas que o leitor não se engane: as críticas superaram, e muito, os elogios.
Dito isso, fica claro que apontar o dedo e mostrar o que vai mal em terras lusas nem sempre é um bom caminho. Pelo contrário, melhor fingir não enxergar os problemas e seguir em frente, acreditando que o país continua sendo o lugar ideal para se viver na Europa, apesar dos indicadores e dos fatos em sentido oposto.
Sendo assim, a coluna desta semana vai elencar algumas “heresias” que deixam os portugueses de cabelos em pé e que são capazes de transformar qualquer pessoa em inimigo público de Portugal, principalmente quando há discordância quanto aos ex libris de que os portugueses tanto se orgulham.
Erro nº 1: Criticar a culinária nacional
Não concordar que a culinária portuguesa é a melhor do mundo o tornará certamente em uma persona non grata. Já disse por aqui que a maioria dos portugueses tem verdadeiro fascínio pela culinária nacional, e dizer o contrário só lhe trará problemas. Entre alguns ex libris da culinária portuguesa, ressalto o bacalhau à Brás, o arroz de cabidela e o de sarrabulho, o cordeiro assado e os rojões à moda do Porto. Isso sem falar dos famosos pastéis de nata ou dos ovos moles de Aveiro.

Erro nº 2: Questionar o talento de Ronaldo
Ai daquele que tentar comparar o talento de Cristiano Ronaldo, o CR7, com qualquer outro jogador de futebol, mesmo quando esses nomes são de ícones como Pelé, Eusébio, Garrincha e tantos outros. Para os portugueses, Ronaldo é o maior jogador do século e é tratado como um rei em Portugal. Discordar da unanimidade em torno de Ronaldo é perda de tempo e uma forma de criar inimigos sem necessidade.

Erro nº 3: Excluir Fátima do roteiro turístico
Visitar Portugal e não ir a Fátima é outro erro imperdoável. Coitado de quem esteja em terras lusas e ouse dizer que ainda não teve tempo ou que há outros locais prioritários para conhecer que não o Santuário de Fátima. Se há graus de desrespeito nacional, não visitar o santuário ou não acender uma vela aos pastorinhos talvez seja o primeiro da lista.

Erro nº 4: União Ibéria?
Se, há alguns anos, muitos portugueses que eram contra a adesão de Portugal à Comunidade Europeia já eram vistos como cidadãos conservadores, antiquados e ultranacionalistas, hoje os portugueses que pleiteiam a União Ibérica entre Portugal e Espanha são vistos como verdadeiros lunáticos, dignos de usar uma camisa de força. Lutar por esse ideal ou acreditar que essa união possa salvar Portugal de suas mazelas é um convite para ser apedrejado em praça pública.
Erro nº 5: Sistema Público de Saúde, a joia da Coroa
Apesar da relação de amor e ódio que os utentes (leia-se: usuários) portugueses têm com o Sistema Nacional de Saúde, o famoso SNS, é bem provável que aquele que apontar os defeitos no atendimento de saúde português saia pior do que entrou nessa discussão. Apesar de todos os pesares e de todas as idiossincrasias que o sistema público de saúde apresenta, ele ainda é o último bastião de esperança e orgulho dos portugueses.
Se o leitor quer se dar bem em terras lusas, o melhor é fazer o jogo do contente, que nada agrega, mas também não macula a imagem, e evitar cometer os cinco erros acima.