Os acidentes de trabalho voltaram a crescer no Brasil e atingiram o maior nível já registrado. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram que 2025 teve mais de 806 mil ocorrências e 3,6 mil mortes, acendendo um alerta nacional.
O avanço acontece após a pandemia e acompanha a retomada do emprego formal. Mesmo com mais trabalhadores registrados, o número de acidentes continua alto e preocupa especialistas.
Acidentes de trabalho crescem e atingem recorde histórico
Os acidentes de trabalho aumentaram mais de 65% entre 2020 e 2025. O período da pandemia marcou uma queda nos registros, mas a retomada econômica trouxe uma alta rápida.

Em 2025, o país registrou o maior número da série histórica. Ao todo, foram 806.011 acidentes e 3.644 mortes, segundo o estudo técnico.
Apesar disso, a taxa proporcional de acidentes caiu ao longo dos anos. Isso aconteceu porque o número de trabalhadores formais cresceu, o que dilui o risco médio.
Setores mais perigosos e quem mais sofre acidentes
O levantamento mostra que o setor de saúde lidera em número de ocorrências. Hospitais e pronto atendimentos concentram centenas de milhares de casos.
Já quando o assunto é morte, o transporte rodoviário domina. Motoristas de caminhão são os trabalhadores que mais morrem no Brasil, com milhares de óbitos ao longo dos anos.
Entre as profissões, técnicos de enfermagem aparecem no topo em quantidade de acidentes. Isso reflete a exposição constante a riscos no dia a dia. O ranking a seguir utiliza dados acumulados de 2016
a 2025.
| Setor | Acidentes | Óbitos |
|---|---|---|
| Atendimento hospitalar | 500.032 | 221 |
| Supermercados | 204.277 | 335 |
| Administração pública | 177.078 | 596 |
| Transporte de carga | 143.367 | 2.601 |
| Pronto-socorro | 133.446 | 83 |
| Construção de edifícios | 122.455 | 820 |
| Coleta de resíduos | 84.937 | 220 |
| Correios | 84.371 | 40 |
| Abate de aves | 80.372 | 166 |
| Restaurantes | 76.255 | 262 |
Impacto vai além dos números
Os dados mostram que os acidentes de trabalho não afetam apenas a saúde dos trabalhadores. Em dez anos, o Brasil perdeu mais de 106 milhões de dias de trabalho por afastamentos.
Além disso, foram cerca de 249 milhões de dias debitados, que representam impactos permanentes, como invalidez ou morte.
Esse cenário tem reflexo direto na economia e na vida das famílias, mostrando que o problema vai muito além das estatísticas.
Regiões e atividades com maior risco
Os números também variam conforme a região do país. São Paulo lidera em volume total de acidentes, concentrando mais de um terço dos casos.
Por outro lado, estados como Mato Grosso e Tocantins apresentam maior gravidade, com índices elevados de mortes em relação ao número de acidentes.
Em alguns setores, o risco é ainda mais extremo. Atividades como transporte de produtos perigosos e aviação apresentam alta taxa de letalidade, o que significa que, quando ocorre um acidente, a chance de morte é maior.
Estados com mais acidentes e mortes (2016–2025)
| Estado | Acidentes | Mortes |
|---|---|---|
| São Paulo | 2.219.859 | 6.517 |
| Minas Gerais | 657.459 | 3.269 |
| Paraná | 500.946 | 2.653 |
| Rio Grande do Sul | 516.033 | 1.623 |
| Santa Catarina | 459.716 | 1.865 |
| Rio de Janeiro | 420.788 | 1.536 |
| Mato Grosso | 134.549 | 1.257 |
| Goiás | 182.385 | 1.227 |
| Bahia | 180.598 | 1.100 |
| Pernambuco | 148.569 | 676 |
Por que os acidentes continuam acontecendo?
Mesmo com avanços na formalização do trabalho, o número de ocorrências segue alto. Isso acontece por fatores como:
- Falta de fiscalização em alguns setores
- Condições de trabalho inadequadas
- Uso incorreto de equipamentos de proteção
- Crescimento acelerado de áreas com alto risco
Especialistas defendem que o país precisa investir mais em prevenção e segurança no ambiente de trabalho.
Os dados mostram que reduzir os acidentes de trabalho ainda é um dos grandes desafios do Brasil, principalmente em setores essenciais que mantêm a economia funcionando todos os dias.