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Operação Wi-Fi Livre investiga suspeita de desvio para filme de Bolsonaro

Investigação apura fraudes em contrato de R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo
Daniel Vorcaro, banqueiro detido pela PF e financiador do filme sobre Jair Bolsonaro.

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta segunda-feira, a Operação Wi-Fi Livre para apurar irregularidades na contratação e execução de serviços da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) de São Paulo. Vinculado à operação está o Instituto Conhecer Brasil (ICB), que é o principal investigado.

Um dos alvos é Karina Ferreira da Gama, dona do Instituto Conhecer e responsável pelo filme sobre a família Bolsonaro, Dark Horse. O ICB foi contratado por R$ 108 milhões para implantar, executar e realizar a manutenção de pontos de internet gratuita do programa Wi-Fi Livre na capital paulista.

Buscas e apreensões

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a investigação apura suspeitas de fraudes no contrato.

“Também são cumpridas diligências em endereços ligados a empresas que teriam sido subcontratadas para a implantação dos serviços. Houve ainda busca na Secretaria Municipal para obtenção de contratos, prestações de contas e documentos relacionados ao termo de colaboração”, informou a SSP em nota.

Por determinação judicial, as equipes cumprem mandados de busca e apreensão para recolher documentos físicos e digitais, equipamentos eletrônicos, registros financeiros e outros materiais que possam contribuir para o avanço das investigações. Não há mandados de prisão. “As diligências prosseguem“, completou a secretaria.

A suspeita é de que o dinheiro desviado do programa Wi-Fi Livre tenha sido usado para financiar o documentário do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com as investigações, os recursos teriam sido repassados para uma produtora que também pertence a Karina.

Prefeitura de SP nega irregularidades

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que está colaborando com as investigações e que todo o material requisitado nesta manhã já havia sido disponibilizado às autoridades. Além disso, o município reforçou que as informações são de acesso público por meio do sistema de prestação de contas.

“A administração ressalta que o programa funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link wifilivrecomunidades.org/sp. Por volta das 9h desta segunda-feira, dos 3,2 mil pontos contratados pela prefeitura, apenas 52 estavam off-line e passavam por manutenção. Não houve pagamento por parte da administração para 5 mil pontos. O aditivo em questão é exclusivamente para a manutenção dos 3,2 mil pontos já instalados nas comunidades periféricas da cidade.”

A gestão municipal reforçou que toda a prestação de contas — contendo documentos, notas fiscais e contratos — está disponível no sistema SEI, que é público, e que o processo foi acompanhado pelo Tribunal de Conas do Município (TCM). A prefeitura também repudiou o que chamou de “ilações de desvios de recursos públicos”, defendendo que o contrato com o Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade.

Defesa do cronograma e custos

Por fim, a administração paulistana lembrou o histórico da contratação para afastar as suspeitas de ligação com a produção audiovisual.

“Vale lembrar que o chamamento público, aberto por 30 dias para qualquer entidade interessada, ocorreu em 2024, quando não havia sequer a produção do filme mencionado, e o processo cumpriu todas as exigências legais. Para 2026, o custo estimado na parceria com o instituto corresponde a R$ 1.280,80 por ponto/mês, significativamente menor do que as propostas recebidas em 2022, que foram de R$ 2.026,26 e R$ 5.092,14 por ponto/mês”, concluiu a prefeitura.


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Autor

  • Beatriz Santos

    Jornalista formada pela Universidade Santa Cecília em 2024. Atua com produção de conteúdo, redação e assessoria de imprensa.

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