“A gente fica muito indignado dele ter feito isso”. É assim que a viúva do motociclista Hevert Nascimento Souza resume a revolta da família após descobrir que R$ 7 mil haviam sido transferidos da conta do marido horas depois da morte dele. O responsável é um funcionário do Instituto Médico Legal (IML) no litoral de São Paulo.
Em entrevista ao Primeiro Impacto, do SBT, a mulher – que preferiu não se identificar por medo – afirmou acreditar que o suspeito se aproveitou do momento de vulnerabilidade da família. “Ele se aproveitou daquele momento, se aproveitou da fragilidade, né? Porque eu creio que ele não imaginava que ninguém ia perceber”, disse.
O servidor Daniel Nathan Ribeiro Andrade, de 36 anos, foi preso na segunda-feira (8) pela Corregedoria da Polícia Civil e é investigado por peculato, furto, fraude eletrônica e destruição de vestígios probatórios. A suspeita é que ele tenha utilizado o reconhecimento facial ou a digital da vítima para acessar a conta bancária.
➡️ Peculato é o crime cometido por um servidor público que se apropria ou desvia dinheiro, bens ou valores aos quais teve acesso em razão do cargo. A pena prevista é de dois a 12 anos de prisão, além de multa.
Extrato revela transferência
Segundo as investigações, o corpo de Hevert deu entrada no IML de Santos às 3h26 do dia 15 de maio. Pouco mais de três horas depois, às 6h49, foi realizada uma transferência via Pix no valor de R$ 7 mil. A movimentação foi descoberta dias depois, quando a esposa decidiu encerrar as contas bancárias do marido. Ao verificar os dados, ela encontrou um saldo negativo de cerca de R$ 4 mil e solicitou um extrato mais detalhado.
“Constava um horário, das 6h49 da manhã. E meu esposo já estava falecido nesse horário e ainda se encontrava no IML”, afirmou a mulher. Ao pesquisar o nome do beneficiário, ela constatou que se tratava de um funcionário do instituto por onde o corpo havia passado. Além do prejuízo, o celular de Hevert foi devolvido quebrado.

O que diz a investigação
Conforme apurado pelo VTV News, Daniel integrava o quadro da Polícia Técnico-Científica desde 2013, quando foi aprovado em concurso público para o cargo de atendente de necrotério. Em 2025, ele chegou a participar do processo seletivo para investigador da Polícia Civil e foi aprovado para a fase oral.
Por meio de nota, a Corregedoria da Polícia Civil informou que conduz as investigações, enquanto a Superintendência da Polícia Técnico-Científica acompanha o caso. A Polícia Civil também afirmou que não compactua com desvios de conduta praticados por seus agentes e acrescentou que medidas administrativas e disciplinares serão adotadas. O caso foi registrado no 3º Distrito Policial (DP).
A defesa do investigado não foi encontrada pelo VTV News até a publicação desta reportagem, mas o espaço segue aberto para manifestações e, portanto, o texto poderá ser atualizado.