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Passagens mais caras? Setor aéreo alerta para efeitos da reforma tributária

Representantes da aviação afirmam que modelo atual pode aumentar custos das companhias e afetar turismo

O impacto da reforma tributária sobre o setor aéreo foi tema de uma audiência pública realizada na Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados. O debate reuniu parlamentares e representantes da aviação civil para discutir os efeitos das novas regras tributárias sobre um segmento considerado estratégico para a economia e para o turismo brasileiro.

A audiência foi proposta pelo deputado Bacelar (PV-BA) e acontece em meio às discussões sobre a regulamentação da reforma tributária, etapa que definirá como as novas regras serão aplicadas na prática.

Segundo representantes do setor, o texto aprovado traz preocupações importantes para a aviação civil, especialmente em relação ao aumento da carga tributária.

Aviação e turismo caminham juntos

Durante a audiência, o presidente da Associação Brasileira de Aviação (ABA), Juliano Noman, destacou a relação direta entre o crescimento da aviação e o desenvolvimento do turismo.

presidente da Associação Brasileira de Aviação (ABA), Juliano Noman

“Falar do setor de turismo sem falar da aviação civil não faz muito sentido. São dois setores que caminham juntos, se apoiam, se ajudam, um desenvolve o outro”, afirmou.

Segundo ele, 2025 foi um ano histórico para os dois segmentos.

“Ano passado foi o melhor ano da história da aviação brasileira e, não por coincidência, também o melhor ano do turismo no Brasil”, destacou.

Para Noman, o principal desafio está na forma como a reforma tributária foi estruturada para o setor.

Carga tributária pode triplicar

Representantes da aviação afirmam que o modelo atual da reforma pode elevar significativamente os custos operacionais das empresas aéreas.

“Uma reforma que, como está hoje, triplica a carga tributária para o setor aéreo”, alertou Juliano Noman.

Segundo ele, o impacto não ficará restrito às empresas.

“Isso significa um setor com custo mais alto, mais caro e, obviamente, conectando menos cidades, ofertando menos serviços, menos voos e menos pessoas dispostas a pagar e a poder voar.”

A preocupação do setor é que o aumento dos custos reduza investimentos e afete diretamente a conectividade aérea do país, especialmente em cidades menores e rotas regionais.

Setor também enfrenta aumento de outros custos

Além da reforma tributária, as companhias aéreas apontam aumento em outras despesas importantes para a operação.

Um dos exemplos é o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) cobrado sobre transferências internacionais utilizadas para pagamento de arrendamento de aeronaves, manutenção e combustível no exterior.

Segundo estimativas apresentadas durante a audiência, as empresas brasileiras deverão desembolsar cerca de R$ 700 milhões adicionais em 2026 por conta da elevação da alíquota do imposto.

Comissão de Turismo acompanha discussão

A presidente da Comissão de Turismo da Câmara e vice-presidente de articulação política da Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos (FPPA), deputada Daniela Reinehr (PL-SC), afirmou que a preocupação com os impactos da reforma é compartilhada por diversos setores da economia.

“Esse é um ponto extremamente sensível. É uma área da nossa economia e da logística do transporte bastante sensível, com características próprias, com uma demanda de pessoal extremamente qualificado, um setor caro, de risco, com altos custos de investimento”, afirmou.

Segundo a parlamentar, a comissão pretende acompanhar de perto os efeitos da regulamentação para evitar prejuízos ao setor.

“A aviação hoje vai ser ouvida na Comissão de Turismo para que a gente possa aferir com mais detalhes onde estão os maiores impactos e de que formas poderemos auxiliá-los”, destacou.

Regulamentação será decisiva

Para representantes da aviação, a fase de regulamentação da reforma tributária será fundamental para corrigir pontos considerados problemáticos e reduzir os impactos sobre o setor.

“Durante esse período de regulamentação, a gente espera que não haja esse impacto e que, com isso, a gente consiga avançar e ter a aviação civil do tamanho que o Brasil merece”, afirmou Juliano Noman.

A expectativa é que as discussões avancem nos próximos meses, enquanto governo, Congresso e setor produtivo buscam alternativas para equilibrar a arrecadação tributária sem comprometer um dos segmentos mais importantes para a mobilidade, o turismo e o desenvolvimento econômico do país.


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Autor

  • Maycon Leão

    Correspondente da VTV em Brasília. Direto da capital federal, atualiza os bastidores da politica e as movimentações que afetam nossa região.

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