Desconfiada das mudanças no comportamento do filho, uma mãe colocou um gravador na mochila da criança, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), e afirma ter registrado uma profissional mandando o menino bater a cabeça na parede em uma escola municipal de Santos, no litoral de São Paulo.
Segundo o boletim de ocorrência (BO), o menino, de oito anos, era acompanhado por uma tutora na UME Prof. Waldery de Almeida, no bairro Santa Maria. Em momentos em que ficavam a sós, especialmente quando pedia lanche, a criança seria alvo de um tratamento marcado por irritabilidade e “total falta de controle”.
A mãe passou a desconfiar de que o filho enfrentava problemas na escola, pois, conforme o registro policial, obtido pelo VTV News, o menino passou a demonstrar medo, inquietação e resistência para frequentar as aulas. Diante da situação, ela decidiu instalar um gravador de voz entre os pertences da criança (ouça a seguir).
Áudios
Um dos trechos gravados registra a profissional orientando a criança a “bater a cabeça”. Segundo a denúncia, outros áudios também revelariam situações em que o menino teria sido impedido de consumir alimentos enviados pela mãe, apesar da seletividade alimentar associada ao TEA, além de ocorridos humilhantes.
As gravações ainda apontariam que a profissional imitava a forma de falar da criança em tom de deboche e insistia para que ela dormisse durante parte do acompanhamento. O caso, registrado no dia 8, foi enquadrado como maus-tratos contra menor de 14 anos pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos.
Além do BO, a defesa da família – representada pelo advogado João Carlos Nogueira – protocolou uma representação junto ao Ministério Público (MPSP) solicitando a adoção das medidas cabíveis.

Profissional foi desligada após denúncia
Em nota, nesta terça-feira (16), a Prefeitura de Santos informou que os responsáveis pela criança foram prontamente atendidos pela equipe da Seção de Educação Especial e esclareceu que a mulher denunciada não integra o quadro de servidores municipais. Segundo a administração, ela atuava como Profissional de Apoio Escolar Inclusivo (PAEI), vinculada ao Instituto Evolução, organização parceira do município.
A Secretaria de Educação acrescentou que, assim que tomou conhecimento, comunicou a entidade responsável e a profissional foi desligada das atividades exercidas na unidade. A pasta ressaltou que repudia qualquer conduta que configure desrespeito, constrangimento, maus-tratos ou violação dos direitos dos estudantes.
Já a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) informou que a ocorrência foi encaminhada ao 5º Distrito Policial de Santos, responsável pela investigação. Até a publicação desta reportagem, o VTV News não havia conseguido localizar a defesa da profissional apontada na denúncia, mas o espaço segue aberto para manifestações.