Com o início das férias escolares, as crianças passam mais tempo em casa, visitam familiares, frequentam piscinas e acompanham os pais em viagens. A mudança na rotina também aumenta a exposição a situações que podem provocar acidentes com crianças.
Segundo Talita Lodi Holtel, coordenadora da unidade de internação pediátrica e do pronto-socorro infantil do Hospital e Maternidade Sepaco, medidas simples de prevenção podem evitar até 90% dos acidentes que provocam mortes entre crianças e adolescentes de 1 a 14 anos.
Quedas, queimaduras, afogamentos, intoxicações e ingestão de objetos estão entre as ocorrências mais comuns, principalmente entre bebês e crianças menores de 12 anos.
Acidentes com crianças exigem atenção dentro de casa
As quedas representam o tipo de acidente mais frequente. Um estudo citado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, realizado com 1.036 crianças na cidade de São Paulo, apontou que 54,1% das ocorrências foram provocadas por quedas.
Ferimentos com objetos cortantes apareceram em seguida, com 13,1% dos casos. Já as mordidas de animais corresponderam a 9,8%.
Para diminuir os riscos, janelas, escadas e até basculantes de banheiros devem receber telas ou grades de proteção. Móveis que possam servir de apoio para a criança alcançar uma janela também precisam ser afastados.
Durante o banho, um adulto deve acompanhar a criança, já que pisos molhados aumentam o risco de quedas. Bebês também não devem dormir sozinhos em sofás ou camas sem proteção lateral.

Produtos de limpeza e medicamentos devem ficar trancados
Produtos de limpeza, medicamentos e substâncias tóxicas precisam permanecer em locais elevados e, preferencialmente, dentro de armários trancados.
As famílias também não devem guardar produtos químicos em garrafas de refrigerante, água ou suco. A criança pode confundir o conteúdo com uma bebida e ingerir a substância.
“Se a criança ingerir algo acidentalmente e tiver uma intoxicação, não se deve provocar vômito, pois isso pode agravar queimaduras internas quando o produto é corrosivo”, alerta Talita.
Em caso de ingestão acidental, os responsáveis devem procurar atendimento médico e informar qual produto a criança consumiu.
Objetos pequenos também representam risco
Peças de brinquedos, moedas, tampinhas e outros objetos pequenos podem provocar engasgos ou ser engolidos pelas crianças.
Uma forma simples de avaliar o perigo é observar se o item passa pelo interior de um rolo de papel higiênico. Caso passe, deve permanecer longe de bebês e crianças pequenas.
Na cozinha, as panelas precisam ficar com os cabos virados para dentro do fogão. Facas, tesouras e outros objetos cortantes também devem permanecer fora do alcance.

Piscinas e recipientes com água exigem supervisão
Afogamentos podem ocorrer rapidamente e até mesmo em pequenas quantidades de água. Por isso, baldes, bacias e banheiras não devem permanecer cheios dentro de casa.
Em piscinas, a supervisão precisa ser constante. Portões, cercas e redes de proteção ajudam a impedir que a criança chegue sozinha ao local.
Mesmo que saiba nadar, a criança nunca deve permanecer sem a presença de um adulto perto da água. Boias também não substituem a supervisão.
Proteção solar e repelente fazem parte dos cuidados
Nos passeios ao ar livre, a médica recomenda o uso de protetor solar adequado à idade e com fator de proteção acima de 30.
Chapéus, roupas com proteção ultravioleta, óculos escuros e protetor labial também ajudam a diminuir a exposição ao sol. Em praias e locais com neve, os responsáveis devem redobrar os cuidados, pois a radiação pode ser mais intensa.
O repelente precisa ser indicado para a faixa etária da criança. A atenção deve aumentar no fim da tarde, período em que a presença de mosquitos costuma ser maior.
O que levar ao viajar com crianças
Antes de viajar, os responsáveis devem verificar se a vacinação está atualizada e avaliar se o destino exige alguma dose específica.
Durante os deslocamentos, cadeirinhas e assentos adequados à idade e ao tamanho da criança devem ser usados mesmo em trajetos curtos.
A família também pode preparar um kit com medicamentos, mas a escolha dos produtos e das doses precisa seguir a orientação do pediatra.
“O ideal é consumir sempre água mineral lacrada e ter um antisséptico como álcool gel à mão”, explica Talita.
Com organização, supervisão e mudanças simples dentro de casa, as férias podem ser aproveitadas com mais segurança por toda a família.