Um parque aquático inspirado em Xuxa Meneghel foi anunciado para Itanhaém, no litoral de São Paulo, com investimento estimado em US$ 250 milhões. O empreendimento, que prometia atrações como o Castelo da Xuxa, pista de surfe e uma montanha-russa aquática, nunca chegou a ser construído. Anos depois, compradores dos títulos vendidos para financiar o projeto teriam ficado sem receber o dinheiro de volta.
O Xuxa Water Park foi apresentado ao público em 1998, com previsão de inauguração já no ano seguinte. O projeto ocuparia uma área de aproximadamente 582 mil metros quadrados às margens da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-055), em uma região de Mata Atlântica. A proposta era transformar o local em um grande complexo de lazer, com expectativa de receber cerca de 90 mil visitantes por mês.
Antes mesmo do início das obras, os responsáveis pelo empreendimento começaram a vender títulos que dariam acesso ao parque. Os chamados “passaportes” podiam ser adquiridos de forma parcelada e teriam validade de até 25 anos. Entre as atrações planejadas estavam:
- 🌊 Rio de correnteza: percurso com água em movimento, pensado para uma experiência mais radical.
- 🛟 Rio lento: trajeto tranquilo, feito para os visitantes percorrerem o parque com calma.
O projeto também previa um complexo de toboáguas, pista de surfe, Praça das Águas, espaço para eventos e o Castelo da Xuxa. A apresentadora participou do lançamento do empreendimento em São Paulo, mas nunca chegou a visitar a área onde o parque seria construído.
Questões ambientais
O principal obstáculo para a construção foi a localização escolhida para o empreendimento. Segundo informações publicadas pelo site Aventuras na História, o projeto original previa intervenções em uma área de Mata Atlântica, o que levou o Ministério Público e o Ibama a questionarem os impactos ambientais da obra.
Ainda conforme a publicação, o projeto previa inicialmente o desmatamento de uma extensa área de Mata Atlântica e poderia afetar espécies de animais existentes na região. A discussão ambiental resultou em uma ação judicial e colocou em dúvida a licença concedida anteriormente pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente.
Em março de 1998, o Ibama informou que não concederia autorização para a construção. A decisão provocou manifestações de pessoas que haviam adquirido os chamados “passaportes” e de moradores favoráveis ao empreendimento. Parte dos manifestantes chegou a ir ao Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, para pedir que o então governador Mário Covas interviesse na situação.
Apesar da mobilização, o impasse continuou. Em agosto de 1999, o juiz João de Vincenzo, da 12ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, anulou a licença ambiental concedida ao projeto. Segundo a decisão citada pela publicação, a autorização era ilegal diante do impacto previsto para a área, classificado pelo magistrado como de propósito “tão acentuadamente agressivo” ao meio ambiente.

Não saiu do papel
Em meio à disputa, o empreendimento ainda recebeu apoio de autoridades locais. À época, o então prefeito de Itanhaém, João Carrasco, defendeu a construção e afirmou ao Estadão que o projeto poderia gerar empregos.
“Só tenho que lamentar essa decisão da Justiça, porque o projeto de instalação do Parque da Xuxa é viável e de grande representatividade para a região, já que proporcionaria 3 mil empregos diretos e 6 mil indiretos”,
afirmou.
Mesmo depois de decisões favoráveis ao empreendimento em determinados momentos, o projeto acabou perdendo força. A Justiça chegou a autorizar a construção, mas Xuxa já havia direcionado seus planos para outro empreendimento, o Mundo da Xuxa, instalado posteriormente no Shopping SP Market, na capital paulista.
Segundo informações divulgadas pelo canal especializado Hapfun, no YouTube, muitos compradores dos títulos do Xuxa Water Park não receberam o dinheiro de volta após o cancelamento do projeto. O parque que prometia transformar uma área de Itanhaém em um dos grandes complexos de lazer do país, portanto, nunca saiu do papel.