Indaiatuba foi escolhida para sediar uma pesquisa que busca ampliar o conhecimento sobre estratégias de prevenção do suicídio entre pacientes atendidos em situação de crise. O estudo acompanha cerca de 450 pacientes a partir de 14 anos, durante 12 meses, com o objetivo de identificar estratégias que contribuam para a prevenção de novas tentativas e aprimorar o atendimento a esse público.
O fluxo da pesquisa incluirá a UPA 24 Horas, o pronto-socorro do Hospital Augusto de Oliveira Camargo (HAOC) e os três Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) da cidade: CAPS II, voltado a adultos; CAPS AD, especializado em álcool e outras drogas; e CAPS IJ, destinado ao público infantojuvenil. A partir desses serviços, os pacientes serão acompanhados e inseridos em uma das três formas de cuidado que serão avaliadas pela pesquisa.
A partir desses serviços, os pacientes serão acompanhados e encaminhados para uma das três formas de cuidado que serão avaliadas pela pesquisa:
- Tratamento habitual: atendimento que já é oferecido normalmente pelos serviços especializados de saúde mental;
- Tratamento habitual com cetamina: além do atendimento convencional, o paciente recebe cetamina, medicamento que vem sendo estudado por sua ação rápida na redução dos sintomas de depressão em alguns casos;
- Tratamento com Plano de Resposta à Crise: o paciente, com orientação dos profissionais de saúde, cria um plano para reconhecer sinais de alerta, encontrar formas de lidar com momentos difíceis e saber quando e como procurar ajuda da família, amigos ou profissionais.
A partir desses serviços, os pacientes serão acompanhados e encaminhados para uma das três formas de cuidado que serão avaliadas pela pesquisa. O estudo, denominado SAVE Study, será realizado em parceria entre o Centro Universitário Max Planck (UniMAX), o Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e a Secretaria Municipal de Saúde.
A iniciativa tem como objetivo avaliar, na prática, diferentes estratégias de cuidado e prevenção do suicídio, em um estudo realizado diretamente nos serviços de saúde. Segundo o pesquisador do CISM e coordenador da pesquisa, Dr. Rodolfo Furlan Damiano, a pesquisa se destaca pelo alcance e pelo potencial de contribuir para o desenvolvimento de estratégias capazes de salvar vidas.
“O estudo é atualmente o maior estudo do mundo que investiga, em mundo real, as intervenções para a prevenção do suicídio. Isso o posiciona como um estudo que possibilitará avaliar a eficiência de intervenções que têm o potencial de salvar vidas”, salienta.
Além de avaliar a eficácia dessas intervenções, a pesquisa busca transformar os resultados em evidências que possam contribuir para o aprimoramento do atendimento a pacientes em situação de crise. De acordo com o psiquiatra e professor do curso de Medicina da faculdade parceira, Dr. William Augusto Araujo, a proposta é produzir evidências científicas que possam fortalecer o atendimento em situações de urgência.
“O estudo busca avaliar alternativas que possam oferecer respostas mais rápidas durante momentos de crise e ampliar o conhecimento sobre intervenções capazes de reduzir o risco de suicídio”, explica.
Indaiatuba
De acordo com a pasta municipal, ao término do acompanhamento, o paciente continuará o tratamento na rede municipal, como qualquer outro usuário. Dessa forma, não haverá interrupção do cuidado após o encerramento da pesquisa.
A continuidade da assistência também está prevista durante o período do estudo. O desenho da pesquisa não prevê a criação de um serviço paralelo nem a substituição do atendimento já oferecido pela rede municipal. Independentemente do grupo de participação, os pacientes permanecerão vinculados aos serviços da rede, incluindo CAPS, ambulatórios e unidades de urgência.
Questionada sobre a aplicação dos resultados da pesquisa, a Secretaria Municipal de Saúde informou que o estudo vai comparar, em condições reais da rede pública, diferentes estratégias de prevenção do suicídio. Segundo a pasta, os resultados poderão contribuir para identificar quais dessas abordagens apresentam melhores resultados e têm potencial para serem incorporadas à rotina dos serviços de saúde.
Além da aplicação dos resultados, a pesquisa também seguirá protocolos específicos para garantir a segurança e os direitos dos participantes. A pasta informou que o protocolo foi aprovado por um Comitê de Ética em Pesquisa, e a participação será realizada mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. No caso de adolescentes, será necessário também o assentimento do participante e a autorização dos responsáveis legais.
Dados
Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em setembro do ano passado mostram que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno mental no mundo. O número representa uma alta ligeira, mas significativa, em comparação com os dados registrados em 2000.
Segundo a OMS, ansiedade e depressão estão entre as condições mais prevalentes. O acesso ao tratamento, porém, ainda é desigual: menos de 10% das pessoas afetadas em países de baixa renda recebem atendimento, enquanto, nas nações de alta renda, mais da metade tem acesso a cuidados de saúde mental.
A dificuldade de acesso aos serviços de saúde mental também se insere em um cenário de altas taxas de mortalidade por suicídio. Em 2021, 727 mil pessoas morreram por suicídio em todo o mundo, segundo dados da organização. O suicídio está entre as principais causas de morte entre jovens em diferentes países e contextos socioeconômicos.
Os números contrastam com a meta definida pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que prevê uma redução de um terço nas mortes por suicídio até 2030. Mantida a trajetória atual, a queda projetada para o período, no entanto, é de apenas 12%.
Além dos impactos na saúde, os transtornos mentais também estão relacionados a perdas econômicas. A estimativa é de que representem um custo indireto de cerca de US$ 1 trilhão por ano para a economia global.
Onde buscar ajuda emocional de graça
Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja onde encontrar ajuda:
Centro de Valorização da Vida (CVV)
Se estiver precisando de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito de apoio emocional que disponibiliza atendimento 24 horas por dia.
O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat no site ou pelo telefone 188.
- Horário de atendimento por telefone: disponível 24 horas
- Horário de atendimento por chat: Dom – 17h à 1h, Seg a Qui – 9h à 1h, Sex – 15h às 23h, Sáb – 16h à 1h
- Também há atendimento por chat e e-mail no site cvv.org.br
Canal Pode Falar (Unicef)
Iniciativa criada pelo Unicef para oferecer escuta para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. Atendimento gratuito de segunda a sábado (exceto feriados), das 8h às 22h, pelo WhatsApp: (61) 9660-8843 ou pelo site https://podefalar.org.br/
SUS – Centros de Atenção Psicossocial (Caps)
Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas para o atendimento de pacientes com transtornos mentais. Há unidades específicas para crianças e adolescentes. Na cidade de São Paulo, são 33 Caps Infantojuvenis e é possível buscar os endereços das unidades nesta página, clique aqui.
Procure o Caps mais próximo em sua cidade.
Mapa da Saúde Mental
O site traz mapas com unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online. Disponibiliza ainda materiais de orientação sobre transtornos mentais.
Acesse o site: https://mapasaudemental.com.br/
