O Grupo Casas Bahia confirmou, na noite deste domingo (16), o ingresso com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida ocorre em meio a um processo drástico de reestruturação que incluiu a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas apenas em agosto de 2026.
O movimento faz parte da estratégia da companhia para enfrentar a pior crise financeira de sua trajetória. A varejista busca, por meio da proteção judicial, reorganizar suas finanças, renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade de suas atividades.
Por que a Casas Bahia entrou em recuperação judicial?
Segundo a petição apresentada à Justiça, o cenário econômico adverso foi o principal catalisador para a decisão. A empresa aponta a combinação de juros elevados, restrição ao crédito, aumento da inadimplência e o enfraquecimento do consumo de bens duráveis como fatores que pressionaram severamente seu caixa.
Além das dificuldades operacionais, a companhia não conseguiu concluir operações de captação de recursos consideradas vitais. Segundo o balanço divulgado na véspera do pedido, negociações com investidores internacionais para uma injeção de capital estratégica fracassaram após a desistência de um investidor âncora.
“A realidade mudou e, junto ao nosso Conselho de Administração, tomamos decisões para adequar a companhia a essa nova realidade”, afirmou Renato Franklin, CEO do Grupo Grupo Casas Bahia.
Histórico da reestruturação e impacto nos empregos
O pedido de recuperação judicial Casas Bahia é o desfecho de um processo iniciado em 2023, com o chamado “Plano de Transformação”. Naquela primeira fase, a empresa já havia encerrado 55 unidades e reduzido cerca de 8,6 mil postos de trabalho. Em 2024, uma recuperação extrajudicial renegociou R$ 4,1 bilhões, mas os esforços não foram suficientes diante da deterioração contínua do cenário macroeconômico.
Somadas as etapas da reestruturação, a varejista acumula o fechamento de cerca de 355 lojas e a eliminação de aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho.
Prejuízo bilionário e futuro das operações da rede
O anúncio veio acompanhado da divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026, que revelou um prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões. Contudo, a empresa esclarece que R$ 9,1 bilhões desse montante referem-se a ajustes contábeis extraordinários e despesas de reorganização, sem impacto imediato no caixa.
Apesar da crise e do processo de recuperação judicial, a companhia enfatiza que a operação segue normalmente nos canais físicos e digitais. “A estratégia daqui em diante é operar uma companhia menor, mais seletiva e concentrada nas atividades capazes de gerar retorno e caixa”, ressaltou o CEO.
O grupo, que ainda mantém mais de 20 mil empregados e cerca de 700 lojas físicas, também anunciou mudanças na alta administração, com a saída de executivos e conselheiros e a reestruturação dos comitês internos.