Um erro no sistema de agendamento do Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc) fez com que Jamily Vitória Duarte, que morreu há três anos após uma picada de escorpião em Piracicaba (SP), tivesse duas perícias médicas presenciais marcadas. A Justiça havia determinado que a avaliação ocorresse exclusivamente de forma indireta, com análise de documentos do atendimento prestado à criança.
Justiça determinou perícia documental
A perícia integra uma ação cível movida pela família de Jamily, que busca indenização pela morte da criança. O objetivo é analisar prontuários, documentos e outros registros para reconstruir o atendimento recebido por ela na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Vila Cristina e verificar possíveis falhas.
Segundo a defesa da família, a Justiça de Piracicaba determinou, em 17 de janeiro de 2025, que o Imesc realizasse a perícia exclusivamente por meio dos documentos do processo. A decisão também estabeleceu prazo de três meses para a elaboração do laudo.
Mesmo assim, o instituto agendou uma avaliação presencial para 16 de outubro de 2025. Posteriormente, o órgão voltou a marcar outro exame, desta vez para 13 de agosto de 2026.
Sistema registrou ausência da criança
Documentos apresentados pela defesa mostram que o sistema do Imesc chegou a registrar que a perícia não ocorreu porque a “pericianda” não compareceu.
A família questionou o registro porque Jamily morreu em agosto de 2023. Além disso, a Justiça já havia determinado que o instituto realizasse uma análise documental, sem necessidade de presença física da criança.
O advogado João Mazzi, que representa a família, afirmou que os sucessivos agendamentos têm atrasado o andamento do processo.
Em 11 de maio de 2026, o juiz responsável pelo caso voltou a alertar o Imesc sobre a determinação judicial e proibiu a exigência de comparecimento presencial. Ainda assim, o sistema registrou um novo agendamento para agosto deste ano.
Imesc admite erro no sistema
Em nota, o Imesc reconheceu uma inconsistência administrativa no sistema responsável pelo agendamento das perícias. Segundo o instituto, a falha ocorreu durante uma atualização tecnológica da plataforma.
O órgão informou que abriu uma investigação interna para identificar a origem do problema e corrigir os dados do sistema.
O Imesc também afirmou que um médico perito já trabalha na elaboração do laudo de Jamily a partir da análise dos documentos do processo. A previsão apresentada pelo instituto é concluir o documento na próxima semana.

Relembre a morte de Jamily
Jamily Vitória Duarte morreu em agosto de 2023, após sofrer uma picada de escorpião. Segundo a família, a criança demorou para receber o soro antiescorpiônico na UPA Vila Cristina, em Piracicaba.
A picada ocorreu na noite de 11 de agosto daquele ano. Jamily morreu na manhã seguinte.
Na época, a unidade de saúde era administrada pela Organização Social de Saúde Hospital Mahatma Gandhi. Atualmente, a UPA voltou para a administração da Prefeitura de Piracicaba.
A Secretaria de Segurança Pública informou que concluiu a investigação criminal do caso e indiciou uma médica por homicídio culposo, fraude processual e falsificação de documento público. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário.