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Erro do Imesc convoca para perícia menina morta após picada de escorpião em Piracicaba

Justiça havia determinado análise apenas documental no processo que pede indenização pela morte de Jamily Vitória Duarte, ocorrida em 2023
caso Jamily Vitória: Prédio de atendimento do UPA 24h em Piracicaba com um destaque circular do rosto de Jamily Vitória, associado a notícia sobre erro do Imesc e convocação para perícia após picada de escorpião.

Um erro no sistema de agendamento do Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc) fez com que Jamily Vitória Duarte, que morreu há três anos após uma picada de escorpião em Piracicaba (SP), tivesse duas perícias médicas presenciais marcadas. A Justiça havia determinado que a avaliação ocorresse exclusivamente de forma indireta, com análise de documentos do atendimento prestado à criança.

Justiça determinou perícia documental

A perícia integra uma ação cível movida pela família de Jamily, que busca indenização pela morte da criança. O objetivo é analisar prontuários, documentos e outros registros para reconstruir o atendimento recebido por ela na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Vila Cristina e verificar possíveis falhas.

Segundo a defesa da família, a Justiça de Piracicaba determinou, em 17 de janeiro de 2025, que o Imesc realizasse a perícia exclusivamente por meio dos documentos do processo. A decisão também estabeleceu prazo de três meses para a elaboração do laudo.

Mesmo assim, o instituto agendou uma avaliação presencial para 16 de outubro de 2025. Posteriormente, o órgão voltou a marcar outro exame, desta vez para 13 de agosto de 2026.

Sistema registrou ausência da criança

Documentos apresentados pela defesa mostram que o sistema do Imesc chegou a registrar que a perícia não ocorreu porque a “pericianda” não compareceu.

A família questionou o registro porque Jamily morreu em agosto de 2023. Além disso, a Justiça já havia determinado que o instituto realizasse uma análise documental, sem necessidade de presença física da criança.

O advogado João Mazzi, que representa a família, afirmou que os sucessivos agendamentos têm atrasado o andamento do processo.

Em 11 de maio de 2026, o juiz responsável pelo caso voltou a alertar o Imesc sobre a determinação judicial e proibiu a exigência de comparecimento presencial. Ainda assim, o sistema registrou um novo agendamento para agosto deste ano.

Imesc admite erro no sistema

Em nota, o Imesc reconheceu uma inconsistência administrativa no sistema responsável pelo agendamento das perícias. Segundo o instituto, a falha ocorreu durante uma atualização tecnológica da plataforma.

O órgão informou que abriu uma investigação interna para identificar a origem do problema e corrigir os dados do sistema.

O Imesc também afirmou que um médico perito já trabalha na elaboração do laudo de Jamily a partir da análise dos documentos do processo. A previsão apresentada pelo instituto é concluir o documento na próxima semana.

Jamily Vitória Duarte morreu em agosto de 2023, após ser picada por um escorpião em Piracicaba (SP). Foto: Arquivo pessoal.
Jamily Vitória Duarte morreu em agosto de 2023, após ser picada por um escorpião em Piracicaba (SP). Foto: Arquivo pessoal.

Relembre a morte de Jamily

Jamily Vitória Duarte morreu em agosto de 2023, após sofrer uma picada de escorpião. Segundo a família, a criança demorou para receber o soro antiescorpiônico na UPA Vila Cristina, em Piracicaba.

A picada ocorreu na noite de 11 de agosto daquele ano. Jamily morreu na manhã seguinte.

Na época, a unidade de saúde era administrada pela Organização Social de Saúde Hospital Mahatma Gandhi. Atualmente, a UPA voltou para a administração da Prefeitura de Piracicaba.

A Secretaria de Segurança Pública informou que concluiu a investigação criminal do caso e indiciou uma médica por homicídio culposo, fraude processual e falsificação de documento público. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário.


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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