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Samyra, de 10 anos, vivia isolada e quase não ia à escola antes de ser achada morta em Peruíbe

Mãe foi presa após reconstituição do caso e avanço das investigações
caso Samyra: Samyra, de 10 anos, em foto de rosto sorridente, cabelos longos e escuros, usando roupa escura, em ambiente interno com fundo claro.

Isolamento era o que definia a rotina de Samyra Roberta Almeida, de 10 anos, antes de ser encontrada morta na casa onde morava, em Peruíbe, no litoral de São Paulo. Segundo a delegada Izabela Coelho, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), a menina tinha poucas presenças na escola e uma vida social bastante restrita.

Conforme noticiado anteriormente, Samyra foi encontrada desfalecida pelo irmão, na parte externa da casa onde morava. A mãe, Angélica de Lima Tenorio, de 33 anos, foi chamada e, com a ajuda de dois vizinhos, levou a menina às pressas para uma unidade de saúde. Ela chegou ao local já sem vida, segundo a Polícia Civil. Durante a investigação, também foram identificados indícios de violência sexual anteriores à morte.

A delegada afirmou que a investigação levantou que Samyra estava há alguns meses sem celular, depois que o aparelho foi danificado pela mãe. A menina também tinha uma vida social bastante restrita, não sendo vista com frequência na companhia de outras crianças, e havia tido pouquíssimas presenças durante o ano letivo.

“Foi verificado junto à secretaria de ensino, a escola em que a família estava matriculada. Ela era uma aluna praticamente ausente, pouquíssimas presenças durante o ano letivo. Situação semelhante à do irmão caçula”,
afirmou a delegada ao VTV News.

O caso foi registrado no último dia 10 de agosto como morte suspeita, com hipóteses que incluíam suicídio, acidente ou a participação de terceiros. A mãe voltou a ser ouvida no dia 19 e, no dia seguinte, a Polícia Civil realizou a reconstituição dos acontecimentos para confrontar as versões apresentadas.

Prisão após reconstituição

Angélica de Lima Tenorio, que inicialmente colaborou com a investigação e participou da reconstituição, foi presa temporariamente na última terça-feira (25). Segundo a delegada, ela afirmou ser inocente.

“Eu representei pela prisão entendendo que a permanência em liberdade da genitora poderia ser prejudicial às investigações por uma série de fatores”, disse a delegada. A Justiça também reconheceu, neste momento, a existência de “indícios de materialidade” e a necessidade da prisão para o avanço da apuração.

Os dois vizinhos que ajudaram no resgate – um idoso de 77 anos e o filho dele, de 47 – também foram ouvidos e não foram presos. Eles tinham proximidade com a residência e foram chamados para explicar como encontraram Samyra e qual era a relação deles com a criança. Contudo, os celulares dos dois homens foram apreendidos, assim como os aparelhos da menina e da mãe.

Mãe Samyra presa Peruíbe: mulher detida em foto de registro, em ambiente de delegacia, ao lado de um painel com numeração, com expressão séria.
Mãe é presa em Peruíbe após filha ser encontrada morta com corda no pescoço – Foto: reprodução e Portal Junior Santos

Favorecimento à prostituição

A delegada também afirmou ao VTV News que o caso passou a investigar os crimes de favorecimento à prostituição e estupro de vulnerável, além da morte suspeita, após o Instituto Médico Legal (IML) identificar as lesões compatíveis com crimes de natureza sexual. As diligências continuam e, por isso, a Polícia Civil ainda não aponta de forma definitiva a responsabilidade de cada pessoa pelos crimes apurados.

“Não é comum uma criança de dez anos chegar a essa situação. Então precisa ser averiguado”,
explicou.

A perícia ainda deve analisar os aparelhos apreendidos para buscar mensagens, arquivos e outros dados que possam ajudar a esclarecer o que aconteceu antes da morte. Entretanto, o celular de Samyra está bastante danificado e não funciona normalmente – o que pode dificultar a extração das informações.

A mãe permanece presa temporariamente. Conforme apurado pelo VTV News nesta sexta-feira (28), junto à polícia, a medida pode ser prorrogada conforme o andamento da investigação e eventual decisão judicial. A defesa dos envolvidos não foi localizada até o momento, mas o espaço segue aberto para manifestação.

Como denunciar casos de violência contra crianças e adolescentes

Casos de violência física, psicológica, ameaças, abuso, violações de direitos ou situações que coloquem crianças e adolescentes em risco podem ser denunciados por diferentes canais de atendimento. As denúncias podem ser feitas de forma anônima. Os principais canais são:

  • Disque 100 – serviço nacional de denúncias de violações de direitos humanos;
  • Polícia Militar – pelo telefone 190, em casos de emergência;
  • Polícia Civil – presencialmente em delegacias;
  • Conselho Tutelar – responsável por acompanhar situações que envolvam menores;
  • Delegacias especializadas como as Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) e unidades de proteção à criança e ao adolescente.

Segundo especialistas, denúncias podem ser fundamentais para interromper ciclos de violência, garantir proteção às vítimas e auxiliar investigações. Mesmo em casos de suspeita ou quando não há confirmação dos fatos, informações podem contribuir para o acionamento da rede de proteção.


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Autor

  • Renan da Paz

    Jornalista com três anos de experiência em comunicação multiplataforma, com atuação em televisão (apresentação, reportagem, produção, direção, roteirização e edição), assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes sociais. Atualmente, é produtor na VTV SBT e repórter web do VTV News.

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