A Polícia Civil deflagrou nesta quinta-feira (3) a segunda fase da Operação Avaritia, que investiga uma suposta fraude na obtenção de empréstimos da Desenvolve SP. Segundo as investigações, o grupo teria usado empresas de fachada, documentos falsos e informações financeiras manipuladas para conseguir financiamentos entre 2021 e 2022.
O prejuízo estimado pode chegar a R$ 70,4 milhões.
A operação mobilizou cerca de 80 policiais civis e 27 viaturas. Ao todo, os agentes cumprem 22 mandados de busca e apreensão em endereços de São Paulo, Mogi das Cruzes, Suzano e Barueri, além do Rio de Janeiro.
Denúncia deu início à investigação
A apuração começou em janeiro de 2022, depois que a Desenvolve SP recebeu uma denúncia pela Ouvidoria sobre uma possível irregularidade em uma operação de crédito.
A instituição abriu uma investigação interna e encontrou outros contratos com características semelhantes. Em novembro daquele ano, a Desenvolve SP encaminhou as informações ao Ministério Público de São Paulo, ao Banco Central e à Controladoria-Geral do Estado.
Com o avanço da apuração, a instituição identificou novas suspeitas, inclusive envolvendo funcionários. Por isso, criou um grupo de trabalho, contratou uma empresa especializada para realizar uma auditoria e passou a encaminhar novos dados às autoridades.
Empresas de fachada eram usadas para obter crédito
De acordo com a Polícia Civil, o esquema contava com pelo menos dois grupos. Um deles faria o contato com empresários e cuidaria dos pedidos de financiamento. O outro seria responsável pela produção de documentos para apresentar as empresas como regulares e aptas a receber os recursos.
Entre os documentos investigados estão contratos, registros empresariais, balanços e procurações.
Depois que os empréstimos eram liberados, os valores teriam passado por contas de terceiros e por uma sequência de transferências. A polícia suspeita que a movimentação servia para dificultar o rastreamento do dinheiro e esconder os beneficiários finais.
Nesta quinta-feira, os agentes procuram celulares, computadores, documentos e registros bancários que possam ajudar a identificar os envolvidos e acompanhar o caminho dos recursos.

Primeira fase identificou empresas fantasmas
A primeira fase da Operação Avaritia ocorreu em outubro de 2023. Na ocasião, a Polícia Civil identificou três empresas consideradas fantasmas que teriam obtido aproximadamente R$ 5 milhões em financiamentos da Desenvolve SP.
Naquele momento, os policiais cumpriram 20 mandados de busca e apreensão. Veículos, celulares, computadores, documentos e joias foram apreendidos.
Inicialmente, a polícia estimava que o prejuízo poderia chegar a R$ 40 milhões. Entretanto, com o avanço das investigações, o valor sob suspeita aumentou para aproximadamente R$ 70,4 milhões.
Além disso, a Desenvolve SP realizou apurações internas e desligou funcionários após identificar suspeitas de envolvimento. A instituição também comunicou novos fatos às autoridades e ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.
Polícia apura participação de funcionários
Além das empresas e das pessoas responsáveis pelos pedidos de financiamento, a investigação também apura a possível participação de funcionários da Desenvolve SP.
Segundo o histórico divulgado pelo governo estadual, a instituição abriu procedimentos internos contra empregados suspeitos. Em 2024, quatro funcionários foram desligados. Depois, outro empregado citado em uma denúncia também deixou a instituição.
Agora, a Polícia Civil tenta esclarecer se essas pessoas tiveram participação direta na liberação dos recursos e qual teria sido o papel de cada uma no esquema.
O que a polícia investiga agora
Com a segunda fase da operação, os investigadores buscam identificar todos os beneficiários dos financiamentos e rastrear os valores obtidos por meio das supostas fraudes.
Além disso, a polícia tenta localizar possíveis bens comprados com os recursos e descobrir quem participou da produção dos documentos falsos.
A investigação também pretende esclarecer quais empresas foram utilizadas para conseguir os empréstimos e quem recebeu o dinheiro depois da liberação.
Conforme a participação de cada investigado, os envolvidos podem responder por crimes como estelionato, falsidade ideológica, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A investigação continua.




