O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), demitiu nesta quinta-feira (3) o deputado federal Carlos Alberto da Cunha (União Brasil), conhecido como Delegado Da Cunha, da Polícia Civil de São Paulo. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado e determina a demissão “a bem do serviço público”.
Da Cunha era delegado, mas estava licenciado para exercer o mandato de deputado federal. Segundo o despacho, Tarcísio considerou procedentes as acusações feitas em um processo administrativo disciplinar.
O documento afirma que a decisão foi tomada com base em um parecer da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e em um despacho da Assessoria Jurídica do Governo, de 1º de setembro. O texto cita normas que tratam de condutas como divulgação intencional de informações sigilosas e prática de ato considerado improbidade.
Sequestro
Um dos episódios envolvendo a atuação de Da Cunha como delegado aconteceu em 2020. Na época, ele foi acusado de levar uma vítima de sequestro e um criminoso novamente a um cativeiro que já havia sido desativado para reencenar o resgate e gravar um vídeo, com objetivo de repercutir nas redes sociais.
O delegado admitiu ter reproduzido a ocorrência, mas negou irregularidades. O caso chegou à Justiça e acabou arquivado em 2024. A demissão anunciada agora, porém, é resultado de um processo administrativo disciplinar da própria Polícia Civil, e não daquele processo judicial.
Da Polícia Civil para a política
Da Cunha ganhou notoriedade justamente por publicar vídeos de operações policiais nas redes sociais. Em 2021, ele foi afastado das atividades nas ruas e teve a arma e o distintivo recolhidos. Na época, respondia a procedimentos na Corregedoria relacionados à sua atuação como delegado e ao uso da estrutura da Polícia Civil para produzir conteúdos para as redes sociais. Depois, pediu licença não remunerada da corporação.
Já na política, Da Cunha foi eleito deputado federal. Ele também se tornou réu em um processo criminal após ser denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por violência doméstica contra a ex-companheira Betina Grusiecki. A denúncia envolve acusações de lesão corporal, ameaça e dano qualificado. Ele nega.

Posicionamento
A assessoria de Da Cunha foi procurada pelo VTV News para comentar a decisão, assim como o Governo de São Paulo, a Polícia Civil e o Ministério Público. Até a publicação, no entanto, nenhum deles havia retornado.
A Câmara dos Deputados também foi procurada e, em nota, informou que a assessoria de imprensa do órgão “tem natureza institucional e não se manifesta sobre decisões de outros órgãos. Os contatos do gabinete do deputado estão disponíveis no portal da Câmara”. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.




