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Justiça barra demissão de Delegado Da Cunha horas após Tarcísio tentar afastá-lo da Polícia Civil

Deputado havia sido demitido ‘a bem do serviço público’ pelo governador
Foto mostra dois homens de terno em ambiente externo, sorrindo, em contexto de notícia sobre Justiça suspende demissão de Da Cunha e tentativa de afastá-lo da Polícia Civil.

A Justiça de São Paulo suspendeu a demissão do deputado federal Carlos Alberto da Cunha (União Brasil), conhecido como Delegado Da Cunha, da Polícia Civil, nesta quinta-feira (3). A decisão foi tomada pelo desembargador Álvaro Torres Júnior, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), poucas horas depois de o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) determinar a demissão “a bem do serviço público”.

Com a liminar, o governo estadual fica impedido, por enquanto, de formalizar, publicar ou executar a demissão. Da Cunha estava licenciado da Polícia Civil para exercer o mandato de deputado federal.

Um dos argumentos apresentados pela defesa é que elementos foram acrescentados ao processo depois do encerramento da fase de instrução e da apresentação das alegações finais. No despacho, o relator afirmou que os argumentos apresentados indicam, neste momento, uma possível ilegalidade no procedimento.

“[…] Os elementos incorporados ao processo administrativo após o encerramento da instrução e a apresentação das alegações finais foram utilizados na formação da conclusão sancionatória e na dosimetria da penalidade, em violação ao devido processo legal e ao contraditório”,
escreveu.

Na decisão, o desembargador considerou que pode ter ocorrido uma irregularidade no processo administrativo, pois, segundo a defesa do parlamentar, novos elementos foram incluídos após as alegações finais, sem que Da Cunha tivesse a oportunidade de se manifestar sobre eles. Por isso, a Justiça decidiu manter a situação como está por enquanto, até que o caso seja analisado de forma mais aprofundada.

“A medida ora adotada tem caráter estritamente conservativo, pois não antecipa o exame definitivo da controvérsia nem impede o regular prosseguimento do feito administrativo, mas apenas evita a consumação do ato cuja legalidade constitui objeto da impetração”,
acrescentou o relator.

Ao final da reportagem, o histórico do caso relembra as circunstâncias que levaram à tentativa de demissão.

O que decidiu a Justiça

Isso significa que Da Cunha não poderá mais ser demitido da Polícia Civil? Não! A decisão desta quinta-feira é uma liminar e foi tomada de forma monocrática, ou seja, individualmente pelo relator. Agora, a medida ainda será submetida à análise dos demais desembargadores do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo.

O julgamento está previsto para 23 de setembro, às 13h30, no Palácio da Justiça, em São Paulo.

Demissão

Horas antes da decisão judicial, Tarcísio publicou no Diário Oficial do Estado a demissão de Da Cunha, considerando procedentes as acusações analisadas em um processo administrativo disciplinar e aplicando a pena de demissão “a bem do serviço público”, com fundamento na legislação estadual.

Justiça suspende demissão de Da Cunha: Documento do Diário Oficial do Estado de São Paulo com o despache do governador Tarcísio de Freitas, datado de 3 de setembro de 2026, referente a processo administrativo disciplinar.
Governador Tarcísio de Freitas determinou a demissão do delegado nesta quinta-feira (3) – Foto: Governo de SP

O despacho foi baseado em parecer da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e em manifestação da Assessoria Jurídica do Governo. Entre as condutas citadas estão a divulgação intencional de informações sigilosas e a prática de ato considerado improbidade. O processo disciplinar relacionado ao caso tramita desde 2020.

Conforme apurado pelo VTV News, a Polícia Civil já havia recomendado a demissão do delegado em 2022. Pela legislação paulista, delegados de polícia só podem ser demitidos pelo governador.

O que diz Da Cunha?

Em nota, o deputado afirmou que recebeu “com serenidade” a decisão que suspendeu os efeitos da publicação no Diário Oficial do Estado que determinava sua demissão do cargo de delegado da Polícia Civil.

Segundo o parlamentar, a decisão “reforça o compromisso da Justiça com o Estado de Direito e a ampla defesa”. Da Cunha também afirmou que continuará como delegado de polícia e que pretende concentrar esforços na campanha pela reeleição à Câmara dos Deputados.

Justiça suspende demissão de Da Cunha: Deputado federal pelo União Brasil, Da Cunha, posa em plenário da Câmara dos Deputados enquanto discursa ao microfone. Foto da Câmara dos Deputados.
Deputado federal pelo União Brasil, Da Cunha é delegado da Polícia Civil e está licenciado da corporação para exercer o mandato – Foto: Câmara dos Deputados

Entenda a tentativa de demissão

A reportagem apurou que a medida está relacionada a um episódio ocorrido em 2020, quando Da Cunha foi acusado de reencenar um resgate de sequestro para gravar um vídeo. Na época, ele admitiu ter reproduzido a ocorrência, mas negou ter cometido irregularidades. O caso chegou à Justiça e foi arquivado em 2024.

Da Cunha ganhou notoriedade nas redes sociais por publicar vídeos relacionados a operações policiais. Em 2021, foi afastado das atividades nas ruas e teve a arma e o distintivo recolhidos. Depois, pediu licença não remunerada da Polícia Civil e entrou para a política. Foi eleito deputado federal e concorre à reeleição.

O parlamentar também responde a um processo criminal após denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por violência doméstica contra a ex-companheira. A denúncia envolve acusações de lesão corporal, ameaça e dano qualificado. Da Cunha, entretanto, nega as acusações.


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Autor

  • Renan da Paz

    Jornalista com três anos de experiência em comunicação multiplataforma, com atuação em televisão (apresentação, reportagem, produção, direção, roteirização e edição), assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes sociais. Atualmente, é produtor na VTV SBT e repórter web do VTV News.

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