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Investigação aponta premeditação em morte de empresário em Americana

Delegado afirma que novas evidências podem afastar hipótese de legítima defesa e pretende pedir prisão preventiva de suspeita
vídeo mostra ataque que matou empresário em Americana: Imagem em montagem com foto de homem em destaque à esquerda e imagens de câmeras de segurança em estacionamento à direita, mostrando uma ação em frente a um carro em Americana

A Polícia Civil passou a investigar a possibilidade de premeditação na morte do empresário Michel Serra Begali, de 32 anos, em Americana (SP). Segundo o delegado Odair José Jaeger, responsável pelo caso, publicações feitas pela ex-companheira da vítima, Natália Caçorla, na noite anterior ao crime, além de imagens de câmeras de segurança, podem indicar que ela planejou o homicídio. Atualmente, Natália cumpre prisão domiciliar, mas o delegado pretende pedir a prisão preventiva ao concluir o inquérito.

Investigação mudou hipótese inicial

Michel morreu no dia 6 de setembro, após receber 54 golpes de faca no estacionamento de uma academia no Jardim Bazanelli. Conforme o boletim de ocorrência, 39 ferimentos atingiram a região das costas.

Inicialmente, a polícia considerava a possibilidade de Michel ter procurado a ex-companheira com a intenção de atacá-la. No entanto, o avanço das diligências levou os investigadores a avaliar outra hipótese.

De acordo com o delegado, Natália teria acompanhado os passos do ex-companheiro antes do crime. Além disso, novos elementos levantaram a possibilidade de que ela tenha planejado o ataque.

Publicações podem indicar planejamento

A Polícia Civil também analisa publicações que Natália fez nas redes sociais na noite anterior ao homicídio.

Segundo Odair José Jaeger, o conteúdo das postagens indicaria que a investigada pretendia encerrar a situação envolvendo o relacionamento. Para os investigadores, as mensagens podem ajudar a reconstruir os acontecimentos que antecederam a morte de Michel.

Além disso, a polícia considera o histórico do relacionamento. Michel e Natália terminaram no dia 1º de setembro, cinco dias antes do homicídio. Após a separação, Michel passou a morar com a mãe.

Relembre o caso:


Câmeras registraram movimentação

As imagens de segurança também ganharam importância na apuração. Segundo o delegado, os registros mostram Natália acompanhando os passos de Michel antes do ataque.

A polícia ainda analisa a quantidade e a localização dos ferimentos. O empresário recebeu 54 golpes de faca, sendo 39 nas costas. Para a investigação, essas características do ataque representam um dos elementos que enfraquecem, neste momento, a hipótese de legítima defesa.

Apesar dos novos indícios, a Polícia Civil ainda precisa concluir a análise das provas antes de definir a dinâmica completa do homicídio.

Filha de 12 anos presenciou o crime

A filha mais velha do casal, de 12 anos, teria presenciado o ataque. Quando os policiais chegaram à academia, encontraram a adolescente no local com vestígios de sangue, segundo o boletim de ocorrência.

Diante da situação, o delegado informou que pretende acionar o Conselho Tutelar. A medida busca acompanhar as condições de segurança e o bem-estar dos dois filhos do casal.

Atualmente, Natália permanece em casa com as crianças, de 6 e 12 anos, enquanto cumpre prisão domiciliar.

Delegado quer prisão preventiva

Durante a audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em flagrante de Natália em prisão domiciliar. A decisão considerou, entre outros fatores, a existência de filhos menores de 12 anos e os cuidados que ela presta a uma pessoa idosa.

Agora, com os novos elementos reunidos pela investigação, o delegado pretende solicitar a prisão preventiva da suspeita no relatório final do inquérito.

Depois da conclusão, a autoridade policial encaminhará o documento ao Ministério Público. A eventual mudança da medida cautelar dependerá da análise das autoridades competentes e de uma nova decisão judicial.

Natália havia pedido medida protetiva

A investigação também analisa um pedido de medida protetiva feito por Natália contra Michel em agosto.

Segundo o boletim de ocorrência, ela solicitou a medida no dia 16 de agosto. Cinco dias depois, em 21 de agosto, a investigada pediu a retirada da proteção.

A Polícia Civil considera esse histórico, assim como os acontecimentos após o fim do relacionamento, para reconstruir a sequência de fatos que antecedeu o homicídio.

O processo judicial relacionado ao caso tramita sob sigilo.

Polícia ainda apura circunstâncias da morte

A Polícia Civil continua analisando as provas para esclarecer como ocorreu o homicídio e quais acontecimentos antecederam o ataque. Os investigadores devem considerar as imagens de segurança, as publicações nas redes sociais, os exames periciais e os demais elementos reunidos durante o inquérito.

Por enquanto, a investigação trabalha com a possibilidade de que Natália tenha planejado o crime. A conclusão definitiva sobre a dinâmica dos fatos e a responsabilidade criminal da investigada dependerá do encerramento das diligências e da análise do Ministério Público e da Justiça.


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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