O ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira foi preso nesta quinta-feira (17), em São Paulo, durante a Operação Vectura Corrupta, que investiga suspeitas de infiltração do PCC no transporte coletivo e no poder público. A ação também alcança outras cidades paulistas.
Ex-presidente da SPTrans está entre os presos
Levi dos Santos Oliveira foi um dos alvos da operação realizada pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público. A ação cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão em municípios da capital, Grande São Paulo e litoral.
A investigação aponta possíveis vínculos entre integrantes da organização criminosa e empresas do setor de transporte. Segundo as autoridades, o grupo teria usado estruturas empresariais para movimentar recursos e ampliar sua atuação.
O ex-presidente da SPTrans também aparece na apuração por supostos encontros com José Daniel Satilite, apontado pelos investigadores como intermediário entre integrantes da facção, empresários, advogados e políticos.
Levi Oliveira teve carreira na SPTrans
Levi Oliveira ingressou na SPTrans em 1991, após seleção pública da antiga Companhia Municipal de Transportes Coletivos. Durante a carreira, passou por áreas ligadas ao planejamento do transporte.
Em 2017, ele assumiu a diretoria de Planejamento de Transporte. Depois, chegou à presidência da companhia em 2020, durante a gestão de Bruno Covas.
A trajetória também incluiu a Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito. O cadastro institucional da Prefeitura de São Paulo registra Levi dos Santos Oliveira entre os responsáveis pela área de mobilidade da cidade.
Operação investiga empresas de ônibus
A Operação Vectura Corrupta apura a atuação do PCC em empresas de transporte coletivo. Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, 12 empresas estão sob suspeita de controle direto ou indireto da organização.
A apuração também analisa possíveis fraudes em licitações e movimentações financeiras relacionadas aos negócios. Os investigadores avaliam ainda a participação de intermediários em decisões ligadas ao setor.
A operação é um desdobramento de uma investigação iniciada em 2024. A primeira fase identificou uma estrutura financeira atribuída à facção e possíveis conexões com agentes públicos e campanhas eleitorais.
Outros nomes aparecem na investigação
Além do ex-presidente da SPTrans, a operação tem entre os alvos o ex-vereador Milton Leite. Ele foi presidente da Câmara Municipal de São Paulo e é investigado por suspeitas relacionadas ao setor de transporte.
Leite não foi localizado no endereço onde os policiais cumpriram o mandado. Ele afirmou que estava viajando e declarou que pretende se apresentar às autoridades. Também negou as acusações atribuídas a ele.
Outro preso é Danilo Morgado, candidato a deputado estadual e ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande. A investigação apura suspeitas sobre o financiamento de campanha e possíveis relações com integrantes do PCC.
A operação também alcança advogados. Segundo os investigadores, esse grupo teria formado uma estrutura chamada “Sintonia dos Gravatas”, relacionada à atuação da organização criminosa.
Investigação começou em 2024
A apuração que levou à operação atual começou com a Operação Decurio, deflagrada em agosto de 2024. Na ocasião, investigadores encontraram dados que ajudaram a identificar diferentes núcleos ligados ao PCC.
Em abril de 2026, a Operação Contaminatio avançou sobre outra frente da investigação. O trabalho analisou uma estrutura financeira que, segundo os investigadores, poderia facilitar a entrada da organização criminosa em administrações municipais.
Agora, a investigação concentra parte dos esforços no transporte coletivo. O objetivo é esclarecer como empresas, recursos financeiros e agentes públicos teriam se relacionado com a estrutura investigada.
A Operação Vectura Corrupta continua em andamento. As autoridades ainda devem analisar documentos, dados financeiros e outros materiais recolhidos durante o cumprimento das ordens judiciais.




