Uma investigação da Polícia Civil revelou como uma associação criminosa teria usado plataformas de comércio eletrônico para aplicar golpes em Campinas, no interior de São Paulo. Os suspeitos anunciavam produtos de informática de alto valor, recebiam os pagamentos e, segundo a investigação, enviavam objetos sem valor no lugar das mercadorias compradas. O esquema também envolvia a alteração do endereço de entrega para dificultar a identificação da fraude.
O caso ajuda a entender uma modalidade de fraude que explora o funcionamento dos sistemas de venda pela internet e pode envolver tanto os consumidores quanto as próprias plataformas.
Como funcionava o golpe do e-commerce
Segundo a investigação apresentada pela Polícia Civil, os suspeitos utilizavam anúncios reais dentro de uma plataforma de comércio eletrônico. Dessa forma, o comprador encontrava o produto anunciado e realizava normalmente o pagamento.
O problema acontecia depois da compra.
Em vez de enviar o produto adquirido, os investigados colocavam outros objetos dentro da embalagem. Em uma das encomendas interceptadas durante a investigação, os policiais encontraram roupas usadas, livros antigos e pedras dentro de uma caixa que deveria transportar um computador.
Além disso, os investigadores identificaram uma alteração no endereço de destino da encomenda. O código de barras permanecia apto ao rastreamento, mas o endereço fazia com que o pacote seguisse para outro local.
Por que o comprador recebia o dinheiro de volta
Quando a mercadoria não chegava ao endereço correto, o comprador entrava em contato com a plataforma para reclamar.
De acordo com a explicação apresentada pelo delegado Marcel Fehr, da DIG de Campinas, a empresa ressarcia o consumidor. Assim, inicialmente, o comprador não ficava com o prejuízo.
O problema passava então para a plataforma, que precisava devolver o dinheiro ao cliente sem conseguir recuperar o valor pago ao vendedor.
A investigação identificou que os suspeitos movimentavam os valores recebidos, o que dificultava a recuperação do dinheiro pela empresa. Segundo informações divulgadas sobre o caso, o prejuízo identificado ultrapassa R$ 100 mil.
Como os criminosos conseguiam aplicar a fraude
Segundo a Polícia Civil, o esquema aproveitava brechas no funcionamento das plataformas de comércio eletrônico.
Os anúncios apareciam normalmente para os consumidores e as transações seguiam os procedimentos habituais. A fraude acontecia principalmente na etapa de envio da mercadoria.
De acordo com o delegado ouvido pelo VTV da Gente, os criminosos mantinham o código de barras da etiqueta para permitir o rastreamento, mas alteravam o endereço de destino da encomenda.
Com isso, a plataforma conseguia acompanhar o pacote, mas a mercadoria não seguia para o comprador que havia realizado a aquisição.
Como o consumidor pode se proteger
Apesar de o caso investigado em Campinas ter provocado prejuízo principalmente à plataforma, outros golpes praticados em ambientes de comércio eletrônico podem causar perdas diretamente aos consumidores.
Por isso, a orientação apresentada pela Polícia Civil é acessar primeiro o site ou aplicativo oficial da plataforma e procurar o produto diretamente dentro do ambiente da empresa.
Essa medida ajuda o consumidor a verificar se o anúncio realmente está disponível na plataforma e se o preço está dentro de uma faixa compatível com o mercado.
Além disso, o comprador deve desconfiar de ofertas muito abaixo dos valores praticados normalmente e evitar pagamentos ou negociações fora dos canais oficiais de uma plataforma.
Polícia investiga participação de outras pessoas
A operação realizada em Campinas levou à prisão de dois suspeitos. Segundo a investigação, outras pessoas podem estar envolvidas no esquema, incluindo um terceiro suspeito que estaria em Minas Gerais.
Os dois presos foram autuados pelos crimes de associação criminosa e estelionato. A Polícia Civil também apura se o grupo utilizava o mesmo método em outras plataformas de comércio eletrônico.
Veja a explicação no VTV da Gente
O VTV da Gente acompanhou a operação e conversou com o delegado Marcel Fehr, da DIG de Campinas, sobre o funcionamento da fraude, a forma como os criminosos alteravam as entregas e os cuidados que os consumidores devem ter ao comprar pela internet.
Assista ao vídeo do VTV da Gente e entenda como o golpe funcionava.




