Bruno Arena passou boa parte da carreira aprendendo como abrir lojas. Agora seu desafio é ajudar a abrir países. Como vice-presidente internacional da Casa do Construtor, o executivo está à frente de um plano que prevê chegar a 300 operações na América Latina até 2030.
A meta dá dimensão à mudança de escala pretendida por uma companhia que nasceu em Rio Claro, no interior de São Paulo, em 1993, construiu uma rede de mais de 800 unidades e agora tenta transformar experiência doméstica em presença latino-americana.
Argentina, Paraguai e Uruguai já fazem parte desse mapa. O Chile entrou recentemente na rota de expansão, enquanto outros mercados da região permanecem no radar. A estratégia coloca Bruno diante de uma missão diferente daquela que ocupou seus últimos anos. A de entender como fazer um modelo brasileiro funcionar sob outras legislações, culturas de consumo e formas de fazer negócios.
“Quando você cruza uma fronteira, percebe rapidamente que internacionalizar é muito diferente de simplesmente replicar. O modelo precisa ter essência e processos sólidos, mas também precisa ter capacidade de adaptação. Nosso trabalho é entender cada mercado antes de querer crescer nele”, afirma Arena.
O movimento acontece enquanto o próprio franchising brasileiro vive um período de expansão. O setor faturou R$ 76,3 bilhões apenas no segundo trimestre de 2026, crescimento nominal de 9,3% sobre o mesmo período do ano anterior. No primeiro semestre, a alta chegou a 9,7%, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF). O avanço doméstico ocorre paralelamente ao interesse crescente das redes brasileiras por mercados internacionais.
Em 2025, missões e ações do Franchising Brasil, programa desenvolvido pela ABF em parceria com a ApexBrasil, geraram US$ 11,8 milhões em expectativas de negócios internacionais. América Latina, América do Norte e Europa estiveram entre os destinos das marcas participantes.
É nesse cenário que Arena tenta escrever o próximo capítulo da Casa do Construtor.
Antes da América Latina, o Brasil
A cadeira internacional é relativamente recente na trajetória do executivo. Antes dela, Bruno passou pela operação, trabalhou próximo aos franqueados e conheceu o modelo pelo lado de quem precisa fazê-lo funcionar diariamente. Também se tornou franqueado da própria rede.
A experiência ganhou outra dimensão quando assumiu a Expansão Nacional. Em 2020, quando passou a comandar a área, a Casa do Construtor tinha cerca de 270 unidades. Quatro anos depois, quando deixou a frente nacional para se dedicar ao projeto internacional, a rede havia ultrapassado 760 operações.
O crescimento doméstico virou uma espécie de laboratório para o desafio seguinte.
“Escala ensina muita coisa. Você aprende que crescer é abrir lojas, mas principalmente criar processos capazes de sustentar essas lojas. Quando começamos a olhar para fora do Brasil, ficou claro que precisaríamos levar esse aprendizado e, ao mesmo tempo, ter humildade para aprender tudo de novo em cada país”, diz.
A internacionalização ganhou uma estrutura própria em 2024, com a criação da Formatta Internacional, dedicada ao desenvolvimento dos mercados externos. O movimento colocou equipes de expansão, operação, tecnologia, comunicação, jurídico, financeiro e outras áreas diante de questões que dificilmente apareciam quando o crescimento estava concentrado no Brasil.
Software precisou conversar com outras regras. Fornecedores passaram a ser desenvolvidos localmente. Materiais foram adaptados. Os equipamentos tiveram de ser avaliados conforme as necessidades de cada mercado. E até palavras aparentemente simples mudam quando uma rede brasileira começa a atender clientes em espanhol.
Argentina vira um dos focos da nova fase internacional
Poucos mercados ajudam a enxergar essa estratégia tão claramente quanto a Argentina.
A Casa do Construtor inaugurou sua primeira unidade no país em Córdoba, avançou para Mendoza e, em setembro, abriu a terceira operação, em Escobar, na província de Buenos Aires. A loja de Escobar tem aproximadamente 280 metros quadrados e começou a operar com mais de 200 máquinas.
A chegada à Argentina ocorre em um ambiente que exige leitura cuidadosa. Em reportagem publicada em maio, o portal argentino iProfesional apontou que, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pela construção e pela indústria nos últimos anos, pequenas obras e reformas continuavam abrindo espaço para o aluguel de máquinas e ferramentas. Para Arena, justamente aí existe uma oportunidade. A de permitir acesso a equipamentos sem exigir a imobilização de capital na compra.
A experiência argentina também ajuda a Casa do Construtor a testar formatos. Em algumas operações, a estratégia passa pelo cross brand, aproximando a marca de empresários e negócios já estabelecidos localmente. Em outras, como Escobar, a unidade nasce independente.
“Cada implantação deixa conhecimento para a próxima. A gente aprende sobre equipamento, atendimento, fornecedor, comunicação e sobre o próprio comportamento do cliente. A Argentina tem sido muito importante nesse processo porque estamos operando em regiões com características bastante diferentes”, explica Bruno.
O Chile é o próximo movimento
Outro mercado estratégico é o Chile. A companhia passou os últimos meses estudando regiões e conversando com potenciais operadores locais. O projeto prevê expansão para além de Santiago, olhando também para mercados regionais associados à construção, mineração, infraestrutura e manutenção.
O avanço reforça uma característica do plano liderado por Arena que em vez de concentrar todas as apostas nas capitais, a companhia procura empresários capazes de desenvolver territórios inteiros.
A estratégia tem relação direta com o que a Casa do Construtor aprendeu no Brasil. Parte importante da capilaridade da rede foi construída fora das grandes metrópoles, em cidades médias e polos regionais onde obras, reformas, agronegócio, indústria e serviços criam demanda recorrente por equipamentos.
Uma meta de 300
Chegar a 300 operações internacionais em pouco mais de quatro anos exige outra escala de execução. Significa encontrar parceiros, formar equipes, adaptar sistemas, desenvolver fornecedores e construir reconhecimento de marca em mercados nos quais a Casa do Construtor ainda está começando a ser conhecida.
Bruno sabe que o número chama atenção. Mas prefere tratar a meta como consequência de uma estrutura que precisa ser construída antes.
“Eu gosto da meta porque ela nos obriga a pensar grande. Mas 300 lojas precisam ser 300 operações que façam sentido. Internacionalização é um projeto de longo prazo. Precisamos encontrar os parceiros certos, entender os territórios e criar uma estrutura que permita crescer sem perder qualidade”, afirma.
O desafio também é pessoal. Bruno cresceu acompanhando uma empresa fundada por seu pai, Expedito Arena, ao lado de Altino Cristofoletti Junior. Mas sua trajetória profissional foi construída dentro da própria operação, passando pelo relacionamento com lojas, expansão e experiência como franqueado antes de chegar à liderança internacional.
Agora, uma parte importante da próxima fase da companhia passa pela mesa dele.
O plano de 300 operações também nasce em um momento no qual o franchising brasileiro demonstra musculatura. Em 2025, o setor ultrapassou pela primeira vez R$ 300 bilhões em faturamento, chegando a R$ 301,7 bilhões, com mais de 202 mil operações e 1,76 milhão de empregos diretos. No primeiro trimestre de 2026, já eram 204,9 mil operações em atividade no país.
Para a Casa do Construtor, entretanto, o próximo mapa tem fronteiras maiores.
Depois de ajudar a companhia a multiplicar sua presença pelo Brasil, Bruno Arena tenta agora repetir parte dessa equação em mercados onde o nome da empresa ainda está sendo apresentado, os parceiros estão sendo formados e cada nova loja traz uma nova rodada de aprendizado.
Se o plano sair do papel, as 300 operações internacionais representarão mais do que um novo número para uma rede com três décadas de história. Serão o teste definitivo para uma ambição que Bruno passou a carregar na agenda, nas reuniões e nas constantes viagens pela região: transformar uma empresa que ganhou escala no Brasil em um negócio verdadeiramente latino-americano.
Casa do Construtor
Fundada em 1993, a Casa do Construtor oferece mais de 90 opções de equipamentos para todas as fases da obra, como container, andaime, betoneira, rompedor, misturador, compactador de solo, gerador e até itens mais leves como furadeira e serras. Com mais de 800 unidades no Brasil, além de nove no Paraguai, cinco no Uruguai, duas na Argentina, e uma no Chile, a Casa do Construtor é uma das únicas franquias com este formato no país. Ao longo de sua trajetória de sucesso, a Casa do Construtor recebeu diversos prêmios, incluindo Franquia do Ano, Selo de Excelência em Franchising por 23 vezes, e Personalidade do Franchising do Ano pela ABF (Associação Brasileira de Franchising), concedido ao fundador Altino Cristofoletti Junior. Além disso, foi reconhecida 19 vezes com o prêmio Franquia 5 Estrelas pela PEGN (Pequenas Empresas & Grandes Negócios).




