A deputada estadual eleita Sofia Favero (PSOL) acionou o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) contra a parlamentar eleita Eduarda Campopiano (PL). O acionamento ocorreu na última segunda-feira (5), no Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância. A representação acusa a deputada do PL de transfobia e violência política de gênero contra a deputada federal reeleita Erika Hilton (PSOL). O caso começou após uma publicação provocativa de Campopiano nas redes sociais, logo após a divulgação dos resultados das Eleições de 2026.
Entenda a publicação que motivou a denúncia no MP-SP
A polêmica começou com o fim da apuração dos votos em São Paulo. Em seu perfil no X (antigo Twitter), Eduarda Campopiano publicou uma mensagem direta para Erika Hilton. A postagem ultrapassou 3 milhões de visualizações e gerou forte repercussão.
No texto, a deputada do PL atacou a identidade de gênero da parlamentar do PSOL: “Oi Erika Hilton. Como é saber que um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo? Rs”.
A equipe jurídica de Sofia Favero afirma que a fala ultrapassa a liberdade de expressão e a crítica política. Segundo a representação, a declaração atinge e ofende todas as mulheres trans.
“Sofia Favero já está cuidando disso.” — Erika Hilton, deputada federal reeleita, sobre a denúncia ao MP-SP.
Enquadramento jurídico e acusações de violência política
A ação pede a abertura de inquérito policial e a punição de Campopiano. O documento baseia-se em dois artigos centrais da legislação brasileira:
- Artigo 359-P do Código Penal: pune quem usa violência para restringir ou dificultar direitos políticos por motivo de sexo ou identidade.
- Artigo 326-B do Código Eleitoral: criminaliza atos de assédio, humilhação e perseguição contra candidatas ou parlamentares no exercício do mandato.
Desempenho nas urnas e o cenário eleitoral em SP
O episódio reúne figuras de grande destaque nas urnas paulistas nas Eleições de 2026:
- Eduarda Campopiano (PL): liderou a votação para a Assembleia Legislativa (Alesp), somando 1.956.238 votos.
- Erika Hilton (PSOL): renovou o mandato na Câmara dos Deputados com 1.596.472 votos. Ficou em segundo lugar no estado, atrás apenas de Lucas Pavanato (PL), que obteve 3.038.438 votos.
- Sofia Favero (PSOL): conquistou a terceira vaga mais votada para a Alesp, com 407.773 votos.
O VTV News procurou a assessoria de Eduarda Campopiano para comentar a denúncia, mas não obteve resposta até a última atualização deste texto. A matéria será atualizada assim que houver posicionamento.
Quem é Eduarda Campopiano?
Maria Eduarda Campopiano Monteiro tem 23 anos e nasceu em Campinas (SP). A influenciadora digital ganhou projeção na internet a partir de 2021 com conteúdos conservadores e alinhados ao bolsonarismo.
- Trajetória política: em 2024, elegeu-se vereadora em Praia Grande (SP) com 3.589 votos (3.583 no dado consolidado do TSE). Tornou-se a parlamentar mais jovem da história recente da cidade, aos 21 anos.
- Atuação na mídia: trabalhou como comentarista política do programa Linha de Frente, da Jovem Pan, em 2023.
- Campanha e recursos: declarou ensino médio completo e ocupação de vereadora. Arrecadou cerca de R$ 755 mil na campanha de 2026 — mais de 90% via diretório nacional do PL —, focando investimentos em tráfego pago nas redes.
- Pautas e posicionamentos: defende a criminalização do aborto, valores cristãos e o porte de armas de fogo. Pressiona contra o feminismo, as cotas raciais e a regulamentação da prostituição.
- Projetos e polêmicas: em 2025, apresentou projeto para vedar a contratação pública de condenados por crimes sexuais infantis. Antes do pleito, gerou polêmica nacional ao associar povos indígenas ao canibalismo durante um podcast. A declaração motivou um boletim de ocorrência por discriminação racial, registrado pela liderança indígena Katú Mirim.





