Com a proximidade do Dia das Crianças, celebrado na próxima segunda-feira (12), a escolha do que oferecer aos pequenos ganha espaço entre pais e responsáveis. Entre as opções está a compra de um presente ou a entrega de dinheiro para que a própria criança escolha como utilizar o valor.
A decisão pode variar de acordo com a idade, os interesses e a autonomia de cada criança. Enquanto o presente representa uma escolha específica para a data, o dinheiro oferece liberdade para decidir o que comprar. Independentemente da opção escolhida, a data também pode servir como oportunidade para abordar a relação das crianças com o dinheiro.
A conversa sobre finanças, segundo orientações do Banco Central, faz parte da educação financeira de crianças e adolescentes. Por muito tempo, o assunto foi tratado como tabu em muitas famílias, o que pode dificultar a compreensão dos jovens sobre a renda da casa, os objetivos financeiros e os custos das despesas do dia a dia.
A partir desse diálogo, crianças e adolescentes podem ter mais contato com a forma como a família administra os recursos e organiza suas despesas. “Quando a criança participa da decisão, ela começa a perceber que dinheiro não é apenas uma coisa que aparece para comprar aquilo que ela quer. Existe uma relação entre recurso, desejo, prioridade e escolha” explica Thiago Godoy, especialista em Educação Financeira e sócio cofundador da Bem Educação
Cinco Aprendizados
Brinquedo x dinheiro
Na escolha do presente, os pais podem decidir qual brinquedo comprar ou deixar que a criança participe desse processo. Quando ela é envolvida na decisão, o momento também pode servir para conversar sobre o uso do dinheiro e as diferentes possibilidades de escolha.
Essa participação não significa substituir o presente por dinheiro nem transformar o Dia das Crianças em uma atividade de orçamento. De acordo com a idade, a escolha pode ajudar a criança a entender que os recursos são limitados e que podem ser destinados a diferentes finalidades.
“Não se trata de transformar o Dia das Crianças em uma prova de educação financeira. O mais importante é aproveitar uma situação que já existe para conversar sobre dinheiro de maneira natural”, explica Thiago.
A proposta é explicar, de acordo com a idade, que as famílias precisam tomar decisões e fazer escolhas porque os recursos disponíveis são limitados.
Ensinamentos
O Dia das Crianças pode ser um momento para conversar sobre dinheiro, já que reúne, em uma mesma situação, desejo, consumo e escolhas. A criança demonstra interesse por algo, enquanto o adulto precisa considerar quanto pode gastar. Com diferentes opções disponíveis e recursos limitados, uma escolha pode significar abrir mão de outra ou esperar para adquirir algo posteriormente.
A data também pode ser aproveitada para apresentar à criança conceitos relacionados às escolhas financeiras. “Não se trata de ensinar matemática, mas de ensinar escolhas inteligentes. Quanto antes a criança perceber a relação entre esforço, valor e gasto, mais preparada estará para lidar com dinheiro no futuro”, afirma Thiago Godoy.
A partir da escolha do presente, a criança pode aprender a esperar, comparar opções, fazer escolhas, planejar e definir prioridades. O momento também pode ser simplesmente uma oportunidade de lazer em família. Ao mesmo tempo, ajuda a mostrar que o dinheiro tem limites e que isso não precisa ser encarado com medo ou frustração.
É justamente por meio dessas situações do cotidiano que a educação financeira começa. A criança passa a compreender que nem todo desejo precisa se transformar em uma compra imediata e que decidir como utilizar os recursos também faz parte da vida.





