Uma menina de 10 anos sequestrada pelo próprio pai conseguiu pedir ajuda discretamente a policiais militares ao piscar para um deles durante uma abordagem em Praia Grande, no litoral de São Paulo. A criança foi resgatada na madrugada de quarta-feira (7), mais de duas semanas após ser levada de Barueri (SP).
Como já noticiado, o homem era procurado pela Justiça após ser acusado de dopar a ex-companheira e a filha, espancar a mulher e fugir com a criança. O sequestro ocorreu em 20 de setembro. Segundo a mãe, ela ficou sem notícias da filha por 12 dias, até o pai começar a telefonar para pedir dinheiro mediante ameaças.
A abordagem aconteceu no bairro Guilhermina, quando uma equipe da Polícia Militar (PM) voltava de outra ocorrência e encontrou os dois caminhando na chuva durante a madrugada. A situação chamou a atenção dos agentes. Questionado, o homem afirmou que estava com a criança porque a mãe dela teria morrido.
Criança piscou
A menina piscou para os policiais para indicar que a história contada pelo pai não era verdadeira. Durante a abordagem, o homem fugiu enquanto um dos agentes fazia consultas. Nesse momento, a criança contou aos policiais que havia sido levada à força pelo pai e que a mãe já havia denunciado o desaparecimento.
Os agentes iniciaram uma perseguição da Rua Argentina até a Avenida Presidente Castelo Branco, onde o suspeito foi detido após resistir à abordagem. Foi necessário o uso de força e de algemas. Ele foi levado à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Praia Grande e deverá responder, inicialmente, pelos crimes de sequestro e cárcere privado.
Após o resgate, um dos policiais entrou em contato com a mãe, que inicialmente pensou que a ligação fosse um trote. Ela só acreditou que a filha havia sido encontrada quando conseguiu vê-la por chamada de vídeo. Até o reencontro com a mãe, a menina ficou sob os cuidados do Conselho Tutelar.
Ameaças
O homem ameaçava matar a própria filha caso ela contasse a alguém que havia sido sequestrada. Ele passou por diferentes cidades e estava havia cinco dias em Praia Grande, onde vivia em situação de rua com a criança. Também teria ameaçado a ex-companheira, dizendo que a polícia encontraria apenas o corpo da menina.

Conforme apurado, a Justiça havia determinado, em 28 de setembro, a busca e apreensão da menina e concedido a guarda unilateral à mãe. A decisão da 2ª Vara da Família e das Sucessões de Barueri também suspendeu o direito de convivência do pai com a filha até nova determinação judicial.




