O sargento Samir Carvalho, acusado de matar a esposa, Amanda Fernandes Carvalho, e tentar assassinar a filha do casal, de 10 anos, será julgado nesta quarta-feira (14), em Santos, no litoral de São Paulo. O júri popular está previsto para começar às 9h30, no Fórum de Santos, segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP).
O crime ocorreu em 7 de maio deste ano, em uma clínica médica. Segundo a denúncia, Samir foi até o local onde Amanda e a filha aguardavam atendimento e, após ameaçar a mulher de morte, enganou os policiais que atenderam à ocorrência. Em seguida, entrou na sala onde as duas estavam e efetuou disparos contra elas.
Conforme noticiado pelo VTV News, Amanda foi atingida por tiros no braço, no peito e nas costas e morreu no local. Ainda segundo a acusação, o sargento desferiu 51 golpes de punhal contra a esposa. A filha do casal – que terá a identidade preservada – foi baleada nas pernas e no braço, precisou passar por cirurgia e sobreviveu.
O caso passou por reconstituição em 22 de abril, e a conduta dos PMs que atenderam à ocorrência também foi alvo de apuração, já que eles abriram a porta do consultório onde as vítimas haviam se escondido na tentativa de sobreviver. Samir foi preso em flagrante após o crime e teve a prisão preventiva mantida pela Justiça.
O MPSP acusa Samir de feminicídio, no contexto de violência doméstica e familiar, e tentativa de homicídio qualificado contra a filha. Entre as qualificadoras apontadas estão o meio cruel, a dissimulação, o uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas, o perigo comum e o emprego de arma de fogo de uso restrito.
O que dizem as defesas
Em nota, as advogadas Juliana Terras e Gabrielli Alves informaram que a família de Amanda não concederá entrevistas nem prestará declarações à imprensa antes da sessão, para preservar este “momento extremamente delicado, bem como respeitar a realização do julgamento e a atuação de todos os envolvidos”.
“É importante lembrar que, para os familiares, especialmente para os filhos de Amanda, este julgamento representa muito mais do que um ato processual. Significa reviver uma perda irreparável, recordar acontecimentos profundamente traumáticos e enfrentar novamente a dor de uma ausência que será sentida por toda a vida. Neste momento, a família deseja apenas acompanhar o julgamento com serenidade, dignidade e respeito, confiando que a Justiça cumprirá seu papel”,
escreveram.
A defesa acrescentou que eventuais manifestações poderão ser concedidas após o encerramento do julgamento, “em momento oportuno, mediante organização prévia com a representação jurídica da família”. As advogadas pediram, portanto, respeito à decisão por parte dos profissionais da imprensa e da sociedade.
Já a defesa do réu não foi localizada pelo VTV News até o momento, mas o espaço segue aberto.

Quem era Amanda?
Amanda era diretora executiva em uma empresa de comércio exterior há três anos e tinha sólida formação acadêmica. Graduada em Logística com ênfase em transportes (2008), também concluiu um curso tecnológico de Análise e Desenvolvimento de Sistemas em 2012, como divulgado em um perfil profissional do LinkedIn.
De acordo com um amigo da vítima, o casal estava junto há cerca de 15 anos, mas vinha ameaçando a vítima há seis meses em partes discretas do corpo – o que ela ‘não denunciava por medo’. Após o crime, um dos filhos desabafou: “Mãe, eterna rainha. Você sempre será meu exemplo de vida. Eu espero te encontrar logo”.
*Com informações da jornalista da VTV SBT, Giovanna Veiga




