Um homem foi preso em flagrante após manter a ex-companheira em cárcere privado por cerca de três dias, em Campinas, no interior de São Paulo. Segundo a Guarda Civil Municipal (GCM), ele invadiu a casa da vítima, trancou portas e janelas e impediu que ela pedisse ajuda. Os agentes resgataram a mulher e encontraram o suspeito escondido dentro de um baú.
A ocorrência terminou com a prisão do homem, que já tinha histórico de descumprimento de medida protetiva, conforme informações divulgadas pela corporação. Durante a abordagem, ele resistiu à prisão e entrou em luta corporal com os guardas.
Vítima ficou impedida de pedir ajuda
De acordo com o relato da Guarda Civil, o homem invadiu a residência da ex-companheira e restringiu a liberdade dela desde o sábado anterior à prisão. Durante esse período, ele trancou as entradas da casa e impediu que a mulher tivesse acesso ao celular para pedir socorro.
A vítima já recebia acompanhamento do programa Guarda Amiga da Mulher, voltado à proteção de mulheres que sofrem violência doméstica. A equipe chegou ao endereço durante uma visita de acompanhamento e percebeu que a mulher estava assustada.
Segundo a guarda Patrícia de Grosssoli, a vítima falou baixo e tremia ao informar que o agressor estava dentro da residência. Diante da situação, os agentes solicitaram reforço e entraram no imóvel.
Durante as buscas, os guardas encontraram o homem escondido dentro de um baú. Ele resistiu à abordagem e entrou em luta corporal com a equipe, mas os agentes conseguiram contê-lo e levá-lo à delegacia.
Suspeito descumpriu medida protetiva
Segundo a Guarda Civil, o casal manteve um relacionamento por cerca de um ano. Após o término, o homem não aceitou a separação e passou a perseguir e ameaçar a ex-companheira.
Conforme o relato apresentado na reportagem, ele dizia que a mulher não teria vida e que ela não ficaria sozinha caso não permanecesse com ele.
A vítima já tinha uma medida protetiva contra o ex-companheiro. Ainda assim, ele teria invadido a residência e mantido a mulher sob seu controle durante vários dias.
A Guarda informou que o suspeito ficou à disposição da Justiça. Entre os crimes citados pela corporação estão descumprimento de medida protetiva e resistência. A investigação também deverá esclarecer as circunstâncias do cárcere privado e das ameaças relatadas.
Troca de celular dificultou pedido de socorro
A vítima integra o programa Guarda Amiga da Mulher, que oferece acompanhamento a mulheres com medidas protetivas. Uma das ferramentas do programa permite acionar equipes da Guarda Civil por meio de um aplicativo de segurança.
Entretanto, segundo a corporação, a mulher havia trocado de celular recentemente e ainda não tinha reativado o recurso no novo aparelho. Por isso, não conseguiu acionar o botão de emergência durante o período em que permaneceu sob o controle do ex-companheiro.
A guarda Patrícia de Grosssoli explicou que a equipe pode orientar as vítimas a instalar e configurar novamente o aplicativo quando elas trocam de aparelho.
O programa também permite que as mulheres procurem atendimento na Sala Lilás, no Centro de Campinas, para receber orientações e solicitar inclusão no serviço de acompanhamento.
O caso reforça a importância da atualização dos recursos de segurança usados pelas vítimas e do acompanhamento contínuo após a concessão de medidas protetivas.




