Neste Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro, você pode não se lembrar de todas as matérias que estudou na escola, mas talvez ainda consiga reproduzir mentalmente a voz de um antigo professor, recordar uma frase que ele repetia ou reconhecer o perfume que usava.
Essas lembranças vão além do conteúdo aprendido em sala de aula. Segundo a neurocientista e aromaterapeuta Daiana Petry, a memória também é construída a partir dos estímulos sensoriais e das emoções associadas às experiências.
“Podemos lembrar da voz do professor, do cheiro da sala, do som do sinal, da textura dos materiais e, principalmente, de como nos sentíamos naquele ambiente. Todos esses elementos podem participar da construção daquela memória”, explicou.
Voz e cheiros ajudam a recuperar lembranças
O ritmo da fala, a entonação e as frases repetidas durante meses ou anos podem ficar associados a uma pessoa, ajudando a recuperar lembranças mesmo décadas depois do período escolar.
“Não significa que exista uma gravação perfeita armazenada no cérebro. A memória é reconstruída, mas determinados elementos sensoriais podem funcionar como pistas muito poderosas para essa reconstrução”, afirmou Daiana.
O olfato também pode despertar recordações antigas. O cheiro de livros, lápis, merenda e produtos de limpeza, assim como o perfume de um professor, pode trazer à tona lembranças da rotina escolar.
“O olfato mantém relações muito próximas com sistemas cerebrais envolvidos na emoção e na memória. Por isso, às vezes sentimos um cheiro e a lembrança aparece antes mesmo de conseguirmos explicar conscientemente de onde conhecemos aquele aroma”, explicou a especialista.
Emoções também marcam a trajetória escolar
Um elogio, a sensação de superar uma dificuldade ou o acolhimento de um professor podem marcar a experiência de um estudante. Situações negativas também podem permanecer na memória.
“Quando uma experiência tem significado emocional, ela tende a ganhar relevância para o cérebro. Por isso, muitas vezes não lembramos apenas do professor, mas da sensação que tínhamos perto dele: segurança, admiração, curiosidade, medo, vergonha, pertencimento ou confiança”, disse Daiana.
Essas experiências ajudam a explicar por que alunos que frequentaram a mesma escola podem guardar lembranças diferentes dos professores e daquela época.
“Podemos esquecer uma fórmula, uma data ou uma página inteira do livro, mas lembrar por décadas de um professor que nos fez sentir capazes. Isso mostra como aprendizagem, sentidos e emoção podem caminhar juntos na construção das nossas memórias”, concluiu a neurocientista.





