A influenciadora digital Paula Simões da Cruz, de 34 anos, é investigada pela Polícia Federal (PF) por suspeita de liderar um esquema internacional de tráfico de cocaína ligado à máfia italiana ‘Ndrangheta’. Segundo as investigações, ela teria assumido funções na organização após a prisão do marido, Patrick Assisi, e do sogro, Nicola Assisi, em Praia Grande, no litoral de São Paulo.
➡️ A ‘Ndrangheta é uma das organizações mafiosas mais poderosas da Itália, conhecida pelo tráfico internacional de cocaína. É estruturada em grupos familiares, cujos vínculos criminosos podem se manter por gerações.
Paula se apresenta como criadora de conteúdo digital e reúne cerca de 29,6 mil seguidores no Instagram. As publicações incluem vídeos de dança, maquiagem, cuidados estéticos e conteúdos relacionados à música. Em uma postagem, ela escreveu ter coragem de “botar fogo” em pessoas que a tirassem do sério (veja abaixo).
Segundo a PF, Paula teria assumido funções operacionais no esquema após Patrick e Nicola serem presos, em 8 de julho de 2019, durante a Operação Retis, na Baixada Santista. A ação cumpriu mandados de prisão para fins de extradição expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido das autoridades italianas.

A corporação também identificou que Paula utilizava o codinome “Chanel” no aplicativo de mensagens criptografadas SkyECC. Entre janeiro de 2020 e fevereiro de 2021, ela teria negociado com fornecedores sul-americanos, coordenado carregamentos de cocaína destinados à Europa e participado da movimentação financeira do grupo. A influenciadora foi presa preventivamente em setembro deste ano.
Condenação por lavagem de dinheiro
Antes da prisão preventiva, Paula já havia sido condenada pela Justiça Federal por lavagem de dinheiro na compra de dois apartamentos em áreas nobres de São Paulo. Os imóveis foram adquiridos em abril de 2015 por aproximadamente R$ 1,9 milhão. Segundo a decisão, as transações foram realizadas em nome dela para ocultar a identidade do verdadeiro proprietário e a origem ilícita dos recursos, atribuídos ao tráfico de drogas.
Na época, Paula afirmou que as compras haviam sido feitas em seu nome porque Patrick ainda não tinha CPF. O casal também alegou que o dinheiro vinha de uma empresa da qual ambos eram sócios, mas a Justiça observou que a companhia havia sido criada somente após as aquisições. Em julho de 2022, os dois foram condenados a mais de três anos de reclusão, com substituição da pena por medidas alternativas.
Em maio de 2026, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) manteve a condenação, mas alterou a pena de multa. A Justiça também determinou a perda de um dos apartamentos e dos direitos creditórios relativos ao outro, além do sequestro de valores obtidos com os aluguéis.

Na investigação mais recente, Paula e os demais suspeitos poderão responder, conforme a participação atribuída a cada um, por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O VTV News ainda não conseguiu localizar a defesa dos investigados, mas o espaço está aberto.




