Miliciano é o integrante de uma organização criminosa armada que exerce controle ilegal sobre territórios e explora moradores por meio da cobrança de taxas e da oferta clandestina de serviços. O termo foi usado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o debate com o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela Band neste domingo (18).
Em determinado momento do encontro, Flávio pediu que Lula se aproximasse dele. O presidente recusou e afirmou que queria distância da família Bolsonaro, mencionando milicianos (veja abaixo).
Como funcionam as milícias
As milícias atuam principalmente em comunidades e bairros onde impõem regras próprias, à margem do poder público. Embora tenham surgido sob o discurso de combater o tráfico de drogas e proteger moradores, esses grupos passaram a explorar atividades econômicas e a recorrer à violência para manter domínio.
Historicamente, muitas milícias foram formadas por policiais, bombeiros, agentes penitenciários e outros integrantes ou ex-integrantes das forças de segurança. Também existem grupos compostos por civis. Na prática, eles utilizam armas, ameaças e agressões para controlar territórios e impor cobranças à população.
Entre as atividades exploradas estão a venda de gás, o fornecimento de água e energia, o transporte alternativo, a distribuição clandestina de sinal de televisão e a cobrança por supostos serviços de segurança. Em algumas áreas, os grupos também atuam no mercado imobiliário e no tráfico de drogas.
A recusa em pagar as cobranças pode resultar em ameaças, espancamentos e até homicídios. Além disso, disputas entre organizações criminosas pelo controle territorial provocam confrontos armados e colocam moradores em risco. Em determinadas regiões, milicianos também estabelecem alianças com facções do tráfico.

Qual é a atuação das milícias no Brasil?
A atuação desses grupos ganhou destaque no Rio de Janeiro a partir dos anos 2000. Em 2008, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) investigou as organizações e resultou no indiciamento de 225 pessoas, entre elas vereadores e deputados estaduais.
Um levantamento do Instituto Fogo Cruzado em parceria com o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF) apontou que as áreas dominadas por milícias na região metropolitana do Rio de Janeiro cresceram 387,3% entre 2006 e 2021. O estudo identificou presença desses grupos em cerca de 10% do território analisado.
Com o passar dos anos, as milícias diversificaram suas fontes de renda e ampliaram suas relações com outras organizações criminosas. Por isso, especialistas destacam que combater apenas as lideranças não elimina necessariamente a estrutura desses grupos, que depende do controle territorial, da exploração econômica e da intimidação dos moradores.
Onde assistir ao debate?
O debate é transmitido pela Band TV, com exibição também pela BandNews TV, pela Rádio Bandeirantes e pela BandNews FM. Há, também, colaboração da TV Cultura, da TV Gazeta, do jornal O Estado de S. Paulo e da Jovem Pan News. Ao todo, 128 jornalistas de 71 veículos de imprensa foram credenciados.
O próximo debate entre os presidenciáveis está marcado para sexta-feira (23), na TV Globo, após o Jornal Nacional, que costuma terminar por volta das 21h15. O encontro será comandado por César Tralli. Nesta semana, Lula foi entrevistado na quinta-feira (15), e Flávio Bolsonaro, na sexta-feira (16), pela jornalista Renata Lo Prete.



