O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, reconheceu que o encerramento das atividades das casas de apostas esportivas no Brasil afetou os clubes de futebol.
Na última segunda-feira (19), após se reunir com representantes de 35 torcidas organizadas em São Paulo, ele afirmou que o governo federal discute alternativas para enfrentar o problema, mas ressaltou que ainda não há medidas específicas anunciadas.
O ministro reconheceu que a decisão do governo de encerrar as atividades das bets criou dificuldades financeiras para os clubes. Apesar disso, evitou antecipar soluções e afirmou que as discussões continuam em andamento.
“As bets patrocinaram boa parte dos clubes de futebol da Série A, da Série B, inclusive inflacionando o patrocínio do futebol. Com a decisão do governo de encerrar a atividade das bets, pelo bem da saúde pública, da sanidade da sociedade brasileira, criou-se um problema, que o nosso governo reconhece, em relação ao financiamento dos clubes de futebol. E o governo está discutindo medidas”, disse Boulos.
Governo pretende criar grupo de trabalho
Além de abordar os efeitos da proibição das apostas, a reunião tratou de demandas apresentadas pelas torcidas organizadas. O encontro durou mais de duas horas e terminou com o compromisso de criação de um grupo de trabalho para estabelecer um canal de diálogo entre as entidades e o governo federal.
A estrutura deverá funcionar no Ministério da Secretaria-Geral da Presidência, com participação de representantes das pastas do Esporte, da Justiça e da Cultura. Além disso, as próprias torcidas definirão seus representantes no colegiado.
Carta para Lula
Durante o encontro, a Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg) entregou a Boulos uma carta destinada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O documento pede que Lula se comprometa com uma “agenda de valorização, organização, participação social, prevenção da violência e garantia de direitos das torcidas organizadas”.
Entre as reivindicações estão a criação de um Dia Nacional das Torcidas Organizadas e a revisão de dispositivos da Lei Geral do Esporte sobre a responsabilização coletiva de torcidas por atos de violência praticados por seus integrantes.
Os representantes também defenderam maior diálogo com o poder público e medidas para fortalecer projetos sociais desenvolvidos pelas organizações.
Wildner Rocha, conhecido como Pulguinha e integrante da diretoria dos Gaviões da Fiel, afirmou que as demandas abrangem “várias áreas do governo, como segurança, cultura e justiça”. Ele também disse que espera “uma abertura de canal e um diálogo permanente” com o poder público.




