O cantor, compositor e pianista Benito di Paula morreu neste domingo (18), aos 84 anos, em São Paulo, após cerca de um ano de tratamento contra um câncer de próstata. A morte chama a atenção para uma doença que pode evoluir sem sintomas nas fases iniciais e provocar complicações em estágios avançados, o que reforça a importância do diagnóstico e do acompanhamento médico.
O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais frequente entre os homens, com exceção dos tumores de pele não melanoma. A doença é causada pela multiplicação descontrolada das células da próstata e tem a idade como um dos principais fatores de risco.
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Evolução do câncer de próstata pode causar complicações
A evolução do câncer de próstata varia de acordo com cada caso. Em algumas situações, o tumor cresce lentamente; em outras, pode avançar e atingir outras partes do corpo, processo conhecido como metástase. Quando isso acontece, as complicações dependem das regiões afetadas e das características da doença.
Segundo o oncologista Ramon Andrade de Mello, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, a idade tem papel importante no risco de desenvolver o tumor.
“Indivíduos com idade mais avançada acabam apresentando um risco aumentado de desenvolver essa doença, principalmente após os 40 anos”, explica o especialista.
O médico também aponta o histórico familiar e as alterações genéticas como fatores de risco. A presença desses fatores pode aumentar a predisposição à doença, embora não signifique que o câncer necessariamente será desenvolvido.

Sintomas podem não aparecer nas fases iniciais
Um dos desafios para identificar o câncer de próstata é que a doença pode não apresentar sintomas nas fases iniciais. Quando os sinais aparecem, podem incluir alterações no padrão urinário e presença de sangue na urina ou no sêmen.
“Presença de sangue no sêmen, ao urinar, diminuição do jato de urina, mudança na frequência ou surgimento de dor ao urinar são alguns dos possíveis sintomas do câncer de próstata, mas nem sempre aparecerem”, detalha Ramon Andrade de Mello.
Como esses sinais nem sempre estão presentes, o acompanhamento médico é importante para avaliar a saúde da próstata e a necessidade de exames. A investigação permite identificar alterações e, quando há confirmação da doença, orientar a escolha do tratamento mais adequado.
Tratamento varia conforme o estágio da doença
As opções de tratamento dependem das características do tumor e das condições de saúde do paciente. Entre as possibilidades estão cirurgia, radioterapia, hormonioterapia e quimioterapia.
O oncologista também cita terapias que podem ser utilizadas em situações específicas, incluindo abordagens voltadas a alvos celulares e medicamentos radioativos para determinados pacientes com câncer metastático.
“Temos também novos métodos que têm demonstrado excelente eficácia, como as terapias-alvo, que permitem localizar alvos celulares e manipulá-los para impedir o desenvolvimento dos tumores, uso de fármacos radioativos como Lutécio 177, medicamento que mostrou resultados positivos em pacientes com câncer metastático, e terapia focalizada de alta intensidade (HIFU), procedimento em que usamos energia de ultrassom para destruir as células cancerígenas”, conclui o médico.
A escolha entre as opções depende da avaliação individual de cada paciente. Por isso, o acompanhamento médico é importante tanto para investigar possíveis sinais da doença quanto para definir as condutas após o diagnóstico.




