Mais de 1.300 estudantes de 22 escolas municipais do Guarujá recolheram quatro toneladas de materiais recicláveis. Enquanto isso, em Santos, 117 voluntários se reuniram para retirar lixo da Praia do José Menino. Apesar das diferenças, as duas mobilizações têm algo em comum: a participação do Santos FC. Por meio do Instituto Leão do Mar, o clube passou a utilizar sua ligação com a população para incentivar ações sociais e ambientais.
Criada em setembro, a organização completou um mês na quarta-feira (21). Nesse período, promoveu 21 iniciativas em Santos, São Vicente, Praia Grande, Cubatão, Guarujá e São Paulo. Ao todo, segundo o instituto, as atividades alcançaram mais de 1.500 crianças.
Os números ajudam a dimensionar uma atuação que vai além da formação de atletas. Com o instituto, o Santos busca transformar a identificação dos torcedores com o clube em participação social. Para isso, aposta em projetos de educação, saúde, cidadania e preservação ambiental.
O trabalho fora das quatro linhas

O Instituto Leão do Mar é uma organização sem fins lucrativos vinculada ao Santos FC. Sua proposta é unir a capacidade de mobilização do clube à experiência de entidades que já desenvolvem trabalhos sociais e ambientais.
Em vez de criar todas as iniciativas do zero, o instituto busca fortalecer projetos existentes. Dessa forma, pretende ampliar a visibilidade dessas ações e atrair novos participantes. Para isso, estabelece parcerias com escolas, universidades, organizações sociais e administrações municipais.
O gerente administrativo do Santos, Luiz Fernando Vella, explicou essa estratégia durante uma atividade de educação ambiental em Cubatão, em setembro.
“Neste momento, vamos apoiar projetos que já existem e dar engajamentos, como uma forma de retribuir todo o carinho que o time recebe de seus admiradores”, afirmou, em declaração à Prefeitura de Cubatão.
Com essa proposta, o clube pretende ampliar sua presença em espaços públicos, escolas e comunidades de diferentes municípios. Assim, sua atuação social não fica restrita à Vila Belmiro.
Além das atividades ambientais, o instituto prevê ações nas áreas de educação, saúde, esporte, cultura e direitos humanos. Da mesma forma, pretende contribuir para o combate ao racismo, à intolerância e à violência no futebol.
Da arquibancada à preservação dos manguezais
Uma das parcerias que ajudam a explicar esse modelo de atuação envolve o Instituto EcoFaxina. Desde 2008, a organização ambiental trabalha no combate à poluição de áreas naturais, especialmente em ambientes aquáticos.
A colaboração começou com uma limpeza de praia em setembro. No entanto, os planos vão além da retirada de resíduos.
O EcoFaxina deverá atuar como braço ambiental do Instituto Leão do Mar. Nesse sentido, a parceria prevê projetos de conservação, educação sobre os oceanos, ciência cidadã e economia circular.
Entre as iniciativas em discussão estão a recuperação de áreas degradadas de manguezal e a criação de atividades ambientais para torcedores.
Além disso, as organizações pretendem levar a sustentabilidade para dentro da Vila Belmiro. Com isso, buscam aproximar a preservação ambiental de um público que já mantém uma relação de identificação com o Santos.
William Schepis, diretor-presidente do Instituto EcoFaxina, explicou que a parceria também prevê ações voltadas ao estádio.
“Estamos desenvolvendo um projeto de educação ambiental e sustentabilidade para o Estádio Urbano Caldeira, a Vila Belmiro, e a torcida santista”, declarou.
Por enquanto, as instituições não divulgaram prazos para colocar essas iniciativas em prática. Ainda assim, os projetos apontam caminhos para dar continuidade ao trabalho ambiental iniciado no primeiro mês.
Vila Belmiro abre espaço para atendimentos de saúde
O estádio também começou a receber atividades fora da rotina esportiva. Nos dias 5 e 6 de outubro, por exemplo, o vestiário visitante da Vila Belmiro abriu as portas para atendimentos gratuitos de saúde.
A programação marcou o lançamento do Núcleo Naty Potira de Saúde da Mulher. O projeto, por sua vez, homenageia uma torcedora santista que morreu aos 39 anos, após enfrentar um câncer.
Durante os dois dias, a população teve acesso a vacinação, exames preventivos, acupuntura e orientações de saúde. Além disso, a Federação Paulista de Futebol e a Fundação Laço Rosa participaram da iniciativa, por meio do projeto Marque Esse Gol.
A ação deu uma nova função a um espaço tradicionalmente reservado aos jogadores. Em vez de receber equipes adversárias, o vestiário acolheu pessoas em busca de cuidados com a saúde.
Dessa maneira, a atividade mostrou outra possibilidade de atuação do instituto. Ao reunir parceiros especializados, o Santos consegue utilizar sua estrutura para aproximar serviços da população.
O desafio de transformar ações pontuais em projetos permanentes

O Instituto Leão do Mar encerrou seu primeiro mês com atividades em diferentes municípios. Entretanto, os números iniciais ainda não permitem medir os efeitos dessas ações a longo prazo.
Agora, o principal desafio é manter as iniciativas e desenvolver projetos contínuos. Afinal, o impacto social depende de um trabalho que ultrapasse campanhas e datas comemorativas.
Para Patrícia Gorisch, presidente do Instituto Leão do Mar, o objetivo é aproveitar a história do Santos para ampliar sua contribuição à sociedade.
“O Santos FC sempre revelou talentos para o mundo, agora, queremos que o Instituto revele o poder de transformação do esporte”, afirmou no balanço do primeiro mês.
Além dos projetos ambientais e de saúde, a organização pretende desenvolver trabalhos nas áreas de educação, inclusão e direitos humanos. Essas frentes, inclusive, fazem parte de sua proposta desde o lançamento.
O primeiro mês mostrou a capacidade do Santos de reunir diferentes setores da sociedade em torno de causas que ultrapassam o futebol. A continuidade dessas parcerias, porém, será decisiva. Afinal, é ela que poderá transformar a mobilização inicial em projetos com resultados duradouros para as comunidades.




