O navio oceanográfico Professor W. Besnard, rebocado nesta sexta-feira (23) do Parque Valongo, em Santos, no litoral de São Paulo, passará por reparos em um estaleiro. Segundo a Autoridade Portuária de Santos (APS), a embarcação deverá retornar ao parque para ficar exposta permanentemente, sem voltar a navegar.
A operação foi realizada após autorização da Marinha do Brasil, por volta das 10h, durou pouco mais de uma hora e meia e contou com quatro rebocadores e outras embarcações de apoio. A empresa Marfort, contratada pela APS para realizar o salvamento e a reflutuação do navio, também acompanhou o procedimento. A embarcação havia adernado – ou seja, inclinado para o lado direito – em 13 de março deste ano.
Imagens de drone cedidas ao VTV News mostram o momento em que o navio se desprendeu do cais com o auxílio dos rebocadores (veja mais abaixo). Ele seguiu para um estaleiro em Guarujá, na margem esquerda do canal de navegação do Porto de Santos, onde, segundo a APS, passará por reparos e restauração.
“Não para voltar a navegar, mas para que possa ser rebocado de volta ao Valongo e ali ser contemplado em melhores condições e com toda a atenção que merece”,
afirmou o presidente da APS, Anderson Pomini.
Segundo a autoridade portuária, a operação ocorreu em baixa velocidade e sem intercorrências, com acompanhamento da Guarda Portuária, da Marinha do Brasil e de técnicos da Marfort.
A APS também informou que já acertou com a Concais a transferência do Terminal Marítimo de Passageiros Giusfredo Santini, atualmente localizado em Outeirinhos, para a região do Valongo – ainda sem data anunciada para acontecer. A proposta é reunir as estruturas na área e ampliar as atrações turísticas do porto.
Navio ‘adernou’; relembre
O Professor W. Besnard adernou em 13 de março, após uma avaria no casco permitir a entrada de água na embarcação. O navio ficou parcialmente submerso junto ao Cais do Valongo. Nas semanas seguintes, foram realizados trabalhos para estabilizar a estrutura e preparar a operação de salvamento.
A reflutuação foi concluída em 15 de junho, com o uso de guindaste e bombas para retirar a água acumulada e fazer a embarcação voltar a flutuar. Depois disso, o navio passou por monitoramento técnico.
A previsão inicial era levar a embarcação a um estaleiro em Guarujá em maio, mas o prazo não foi cumprido. Em agosto, a Capitania dos Portos ainda aguardava documentos necessários para autorizar o reboque. A operação dependia de medidas de segurança para evitar acidentes e impactos nas atividades portuárias.
Sobre a embarcação
O navio é um ícone da oceanografia brasileira lançado ao mar pela Universidade de São Paulo (USP). O nome Prof. W. Besnard é uma homenagem ao primeiro diretor do Instituto da USP que, desde 1958, trabalhava para que a universidade tivesse o seu próprio navio.
O navio chegou ao Brasil em agosto de 1967. Navegou mais de 3 mil dias e durante os primeiros 23 anos navegou sem interrupções. Foram centenas de viagens científicas, sendo seis para a Antártica.

Atracado desde 2008 no Porto de Santos, o navio foi cedido pela USP para o município de Ilhabela. Em julho do ano passado, a Justiça determinou que a Prefeitura da cidade do Litoral Norte desmontasse o navio por falta de condições para navegar. Mas, após uma audiência conciliatória, junto ao Ministério Público (MPSP), a decisão foi suspensa e o navio passou a ser responsabilidade do Instituto do Mar.




