A crise administrativa e financeira da Ponte Preta ganhou mais um capítulo. Um documento com 50 assinaturas foi protocolado no Comitê de Ética da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), solicitando o afastamento de integrantes da atual diretoria e uma intervenção administrativa no clube.
A iniciativa partiu dos grupos de oposição Mãos Pontepretanas e Ponte Pode Mais e recebeu o apoio de nomes históricos da Macaca. Entre os signatários estão Dicá, maior artilheiro da história alvinegra, além dos ex-zagueiros Oscar Bernardi, Juninho Fonseca e André Cruz, que defenderam a Seleção Brasileira em Copas do Mundo.
A representação tem 58 páginas e aponta supostas irregularidades administrativas, problemas de governança e possíveis violações de princípios de transparência e integridade. Os responsáveis pelo movimento pedem que a CBF apure os fatos e avalie medidas para preservar a instituição.
O que a oposição pede à CBF?
Além da investigação, os grupos solicitam a suspensão provisória de integrantes da diretoria executiva e da mesa diretora do Conselho Deliberativo. A proposta também prevê a criação de uma administração independente para conduzir uma transição e elaborar um plano de recuperação financeira e esportiva.
O documento cita o presidente Luiz Torrano, o vice-presidente Marco Antônio Eberlin, que também exerce a função de diretor de futebol, e outros integrantes da estrutura administrativa do clube.
O advogado André Megale, ex-diretor da CBF e responsável técnico pela denúncia, defendeu a análise do material apresentado ao Comitê de Ética.
“Uma série de danos ao clube que vão se desencadeando e estamos contribuindo para que se freiem esses prejuízos”, disse.
Presidente da Ponte critica movimento
Em entrevista à Rádio Brasil de Campinas, Luiz Torrano comentou a mobilização da oposição e criticou os pedidos de afastamento. Segundo o dirigente, a movimentação política prejudica as negociações com possíveis investidores e dificulta a busca por soluções para a crise financeira.
“Tem um grupo de conselheiros que está pedindo o meu afastamento, que está pedindo o afastamento do vice. Tudo isso atrapalha”, afirmou o mandatário.
Torrano também atribuiu parte das dificuldades econômicas às dívidas acumuladas por administrações anteriores. No entanto, reconheceu sua responsabilidade pelos rebaixamentos sofridos pelo clube em 2026 e pediu desculpas à torcida.
“Gostaria aqui de pedir desculpas a toda a nação pontepretana, a essa gloriosa torcida pelos dois descensos. Assumo a culpa, fiz algumas indicações de diretoria incorretas”, disse.
O presidente afirmou ainda que a diretoria trabalha para conseguir patrocínios e novos investimentos. De acordo com ele, seriam necessários aproximadamente R$ 3 milhões para quitar os pagamentos atrasados e manter uma margem financeira para outras despesas.
Crise financeira e rebaixamentos
A ofensiva da oposição acontece em um dos períodos mais difíceis da história recente da Ponte Preta. Em 2026, o clube sofreu os rebaixamentos no Campeonato Paulista e na Série B do Campeonato Brasileiro, ampliando os problemas dentro e fora de campo.
Uma auditoria realizada durante as negociações para a criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF), posteriormente rejeitada pelos associados, estimou a dívida da Macaca em aproximadamente R$ 320 milhões, sem considerar cerca de R$ 20 milhões referentes a débitos de IPTU.
O levantamento também apontou um déficit mensal próximo de R$ 2,8 milhões. Além disso, os atrasos salariais atingiram jogadores, integrantes da comissão técnica e funcionários, provocando até uma paralisação das atividades do elenco durante a temporada.
Agora, a denúncia aguarda análise do Comitê de Ética da CBF. Até o momento, não há decisão que determine o afastamento dos dirigentes ou a intervenção no clube.





