A Polícia Técnico-Científica de São Paulo e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) firmaram uma parceria para tentar identificar 300 ossadas que estão sob responsabilidade do Instituto Médico Legal (IML) paulista. O trabalho, anunciado na quinta-feira (5), utilizará análises genéticas para cruzar informações dos restos mortais com o DNA de familiares de pessoas desaparecidas.
Na prática, a iniciativa pretende aproximar duas informações que podem ajudar a solucionar esses casos: o material genético encontrado nas ossadas e as amostras fornecidas por parentes que procuram pessoas desaparecidas. A comparação poderá apontar possíveis vínculos familiares e contribuir para esclarecer a identidade das vítimas.
Além disso, a cooperação pretende ampliar a capacidade de processamento das amostras e acelerar o trabalho de identificação. Segundo o governo estadual, o projeto contempla inicialmente 300 ossadas mantidas pelo IML.
Como vai funcionar a identificação por DNA?
O processo começa com a análise genética das ossadas que estão sob responsabilidade do IML. Os especialistas vão trabalhar para obter informações genéticas dos restos mortais e gerar perfis que permitam comparações.
Em paralelo, a polícia utiliza informações genéticas de familiares de pessoas desaparecidas, armazenadas em bancos de dados específicos. Com isso, os profissionais poderão confrontar os perfis obtidos nas ossadas com as informações fornecidas pelos parentes.
Quando os resultados apresentarem compatibilidade genética, os especialistas poderão identificar um possível vínculo familiar. A confirmação da identidade dependerá da análise técnica e dos procedimentos de identificação adotados pelas autoridades.
Esse cruzamento é importante porque muitas pessoas desaparecem sem que as autoridades consigam localizar seus corpos ou esclarecer o que aconteceu. Em alguns casos, restos mortais permanecem sem identificação durante anos.
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Quem pode fornecer material genético?
Pessoas que tenham familiares desaparecidos há mais de 30 dias podem solicitar a coleta de material genético para ajudar no processo.
Para isso, os interessados precisam agendar o atendimento pelo site do Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo. As amostras coletadas poderão integrar os bancos de dados utilizados nas comparações genéticas.
O material dos familiares funciona como referência para os especialistas. Assim, quando uma ossada apresenta características genéticas compatíveis, a análise pode ajudar a estabelecer uma possível relação de parentesco.
A iniciativa também busca ampliar as possibilidades de identificação de pessoas que desapareceram e cujas famílias ainda aguardam respostas.
Parceria pretende ampliar capacidade de análise
A cooperação reúne a estrutura da Polícia Técnico-Científica paulista e a experiência do Comitê Internacional da Cruz Vermelha em ações humanitárias relacionadas à identificação de pessoas desaparecidas.
Segundo a perita criminal Maria Paula Valadares, o acordo permitirá ampliar o processamento das amostras e avançar nas análises genéticas das ossadas.
Já Fernando Fornaris, coordenador de Proteção da Delegação do CICV para Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, destacou a importância de preservar a dignidade das pessoas falecidas e oferecer respostas aos familiares.
Além de contribuir para a identificação dos restos mortais, o trabalho poderá fornecer informações relevantes para futuras investigações.




