A cantora e empresária Preta Gil morreu neste domingo (20), aos 50 anos, em decorrência de um câncer colorretal. A informação foi confirmada pela assessoria da artista à revista Quem e ao Uol. A família deve se manifestar publicamente em breve. Diagnosticada com a doença em janeiro de 2023, Preta chegou a entrar em remissão ainda naquele ano, mas o câncer retornou em 2024, com metástases em quatro regiões do corpo.
Desde então, ela enfrentava um tratamento intensivo, incluindo uma cirurgia de 20 horas realizada em dezembro passado para a retirada dos tumores. Procurou, inclusive, uma segunda opinião médica nos Estados Unidos, onde passou por avaliação no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, referência global em oncologia. A nova rodada de quimioterapia, no entanto, não apresentou os resultados esperados.

Tratamento compartilhado e enfrentamento público da doença
Ao longo da luta contra o câncer, Preta tornou pública sua rotina hospitalar, dividindo com os seguidores os desafios do tratamento, incluindo internações, cirurgias e reações adversas. Em agosto de 2023, passou por uma operação de 14 horas para retirada do tumor e histerectomia total. Mais tarde, revelou ter precisado amputar o reto e conviveu com uma bolsa de ileostomia, que também fez questão de mostrar em suas redes sociais, enfrentando tabus e desinformações com naturalidade: “Podemos romper os preconceitos”, escreveu.
O agravamento do quadro levou a cantora a suspender compromissos e a se dedicar exclusivamente à saúde. Mesmo hospitalizada, mantinha postagens em tom direto e pedagógico, reforçando a importância da autoaceitação, da informação e da visibilidade para pacientes em condições semelhantes.
Vida e carreira
Filha de Gilberto Gil e Sandra Gadelha, Preta nasceu em meio ao universo da Música Popular Brasileira. Era afilhada de Gal Costa e chamava Caetano Veloso de “tio”. Lançou o primeiro álbum, Prêt-à-Porter, aos 28 anos, e consolidou sua carreira com discos como Sou Como Sou (2012) e Todas as Cores (2017), além de participações em novelas e filmes. Criou um bloco de Carnaval que arrastava multidões pelas ruas, atuou como atriz e se destacou no setor de eventos e no mercado publicitário.
Em 2017, fundou a agência Mynd, especializada em marketing de influência, com orgulho de ter mais da metade da equipe formada por profissionais negros. Também esteve à frente de iniciativas voltadas à diversidade e inclusão, usando sua notoriedade para defender pautas ligadas aos direitos das mulheres, da população LGBT+ e do combate ao racismo estrutural.
Preta Gil deixa um filho, Francisco, de 28 anos, e uma neta, Sol de Maria, de 7. Deixa também um legado artístico e político.