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Cantora de Cubatão, SP, disputa vaga em campeonato mundial de karaokê

Escolha dos finalistas brasileiros do KWC acontece nesta quinta-feira (24); Lídia é uma das concorrentes

A música sempre foi parte da vida de Lídia Agia, moradora de Cubatão, na Baixada Santista. Aos 34 anos, ela está entre os semifinalistas do Karaoke World Championships (KWC), competição musical que pode levá-la à final mundial na Tailândia. Com 20 anos de trajetória musical, Lídia hoje vive um dos momentos mais marcantes de sua vida artística.

Ao VTV News, ela conta que começou a cantar ainda adolescente e, com o tempo, passou a integrar o coro lírico da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto, onde permaneceu por cinco anos. Mesmo ao optar por uma carreira fora da música, atuando como epidemiologista, manteve o canto como presença constante em sua rotina. Atualmente, concilia os estudos, o trabalho no Hospital Israelita Albert Einstein e os ensaios para o campeonato.

Lídia é diagnosticada com autismo nível 1 de suporte – condição anteriormente conhecida como Síndrome de Asperger [caracterizada pela dificuldade na interação social e comportamentos repetitivos] – e encontrou na música um refúgio emocional e uma ponte com o mundo. “Canto quando estou triste, feliz ou preciso de coragem. É como se a música fosse meu superpoder”, diz.

O caminho até a semifinal brasileira do KWC

Com apoio do marido, Jorge Agia, ela se inscreveu na competição nacional e foi se classificando fase após fase. Agora, se prepara para a final brasileira, que acontece nos dias 22 e 23 de agosto, em São Paulo. Apenas dois candidatos entre dezenas de semifinalistas serão escolhidos para representar o Brasil na etapa mundial.

A final internacional será disputada entre os dias 3 e 8 de novembro, reunindo artistas de mais de 30 países. Se conquistar uma das vagas, Lídia embarca para a Ásia com o sonho de levar sua voz (e história) para o palco global do karaokê. O evento é considerado o maior campeonato do gênero no mundo, com diversidade de estilos e talentos.

Segundo a organização do KWC Brasil, o objetivo do campeonato é revelar vozes de diferentes perfis, valorizando tanto a performance vocal quanto a autenticidade dos candidatos. “É uma celebração da música popular como expressão pessoal”, reforça o site oficial do evento.

Lídia Agia tenta uma vaga na semifinal do KWC, competição mundial de karaokê – Foto: reprodução

Rotina intensa de treinos

A preparação requer constância. Lídia conta que ensaia pelo menos duas vezes por semana, com foco nas músicas escolhidas para a semifinal. “Exige muita disciplina. É quase loucura”, brinca.

Ela também cuida da voz com exercícios específicos, além de manter uma boa alimentação, hidratação e sono de qualidade. A cantora alterna músicas nacionais e internacionais, com estilos que vão do pop ao MPB. Toda a rotina é compartilhada em um perfil com mais de 25 mil seguidores nas redes sociais.

Pluralidade musical é marca registrada

Mais do que técnica, Lídia carrega na voz uma mensagem de afeto e autenticidade. Para ela, a arte não está em um estilo só. “Quero que as pessoas vejam em mim a pluralidade do Brasil, com suas cores, ritmos e histórias”, afirma.

Ela acredita que sua identidade artística está na simplicidade e na forma verdadeira como interpreta cada canção. “A música é meu meio de espalhar amor, amizade e compaixão. Já recebi mensagens de pessoas que dizem que minha voz torna o dia delas mais leve. Isso deixa meu coração quentinho”.

Lídia canta em português, inglês e espanhol, e diz que não se limita a rótulos. Essa liberdade interpretativa é um dos pontos fortes observados pelos jurados do KWC.

Artista acumula mais de 25 mil seguidores nas redes sociais compartilhando covers e preparação vocal – Foto: reprodução

História de vida moldada pela arte

A caminhada artística começou cedo: aulas de ballet, dança do ventre, guitarra, piano e participações em concursos de canto e dança fizeram parte de sua infância e adolescência. “Eu sempre quis ser artista”, lembra.

Ainda jovem, aceitou o convite de uma amiga para cantar na igreja, experiência que consolidou sua conexão espiritual com a música. A fase universitária marcou outra virada: foi aprovada em uma audição para cantar como soprano na orquestra sinfônica.

Mais tarde, os compromissos acadêmicos com o doutorado a afastaram do palco formal, mas nunca da música em si. “Independente de estar cantando formalmente ou não, a música sempre esteve comigo, em todos os momentos e lugares”, reforça.

Um sonho além do palco

Participar do KWC tem sido também uma experiência de troca e amizade. Segundo ela, o ambiente da competição é acolhedor e cheio de artistas talentosos. “Tem sido uma vivência incrível. Estou conhecendo pessoas maravilhosas e crescendo muito. Espero representar o Brasil com tudo que sou”.

Entretanto, independentemente do resultado, Lídia segue fiel ao que acredita: que a arte deve ser instrumento de conexão e cuidado. “A minha personalidade e minha cultura determinam que eu trate a música com respeito e autenticidade, com o objetivo fim de levar amor àqueles que me ouvem”. A votação para escolha dos semifinalistas termina nesta quinta-feira (24).


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Autor

  • Renan da Paz

    Jornalista com três anos de experiência em comunicação multiplataforma, com atuação em televisão (apresentação, reportagem, produção, direção, roteirização e edição), assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes sociais. Atualmente, é produtor na VTV SBT e repórter web do VTV News.

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