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Governo Lula apresenta plano de socorro a empresas afetadas por tarifaço dos EUA

O governo federal lança um pacote de medidas emergenciais para amparar os setores impactados pelo aumento tarifário imposto pelos EUA.
Palácio do Planalto (Foto: Marcos Corrêa/PR)

O governo federal lança nesta quarta-feira (13), às 11h30, um pacote de medidas emergenciais para amparar os setores impactados pelo aumento tarifário imposto pelos Estados Unidos. O plano inclui crédito facilitado, benefícios tributários e compras governamentais, com contrapartidas condicionadas à manutenção de empregos — embora com flexibilizações específicas conforme o perfil de cada empresa.

As medidas chegam duas semanas após o presidente americano Donald Trump anunciar o tarifaço contra o Brasil. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a proposta foi calibrada a partir de reuniões com setores produtivos e será financiada via crédito extraordinário, o que permite sua exclusão do teto de gastos, mas não do cálculo da meta fiscal.

“O texto está 100% definido, é um projeto que contempla as várias demandas dos setores produtivos”, afirmou Haddad após audiência no Senado.

Plano “tailor made” para empresas atingidas

A estrutura do pacote prevê um modelo sob medida, a partir da análise individual do CNPJ e da dependência da receita de exportações aos Estados Unidos. O objetivo é proteger as empresas atingidas — especialmente as de pequeno e médio porte —, mitigar o impacto nas contas públicas e estimular a diversificação da pauta exportadora brasileira.

Dentre os instrumentos confirmados estão:

  • R$ 30 bilhões em linhas de crédito;
  • Diferimento de impostos, com adiamento dos pagamentos;
  • Autorização para compras públicas de produtos represados pela queda nas exportações;
  • Ampliação do uso do regime de drawback para importação de insumos voltados à exportação;
  • Estímulo à abertura de novos mercados.

Haddad também confirmou que a exigência de manutenção de empregos poderá ser substituída por outras contrapartidas em casos específicos. “É uma MP que tem que ter certa flexibilidade; são mais de 10 mil empresas, não vamos conseguir colocar na mesma moldura todo mundo”, afirmou.

Redirecionar exportações e reforçar garantias

O ministro disse que o plano tem viés estrutural, indo além da resposta imediata ao tarifaço. Uma das frentes envolve a reestruturação do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), que passará a contar com o suporte de outros fundos federais. A medida visa ampliar o acesso de empresas — inclusive de menor porte — a mecanismos de crédito para atuação em mercados globais.

“Toda empresa brasileira que tiver vocação para exportação terá instrumentos modernos para fomentar a exportação para o mundo inteiro”, disse Haddad à GloboNews.

A reação do governo foi adiada estrategicamente até que o tarifaço se confirmasse, o que permitiu maior precisão na elaboração das medidas. Segundo a Fazenda, cerca de 40% da pauta exportadora brasileira foi excluída das tarifas americanas, o que reduziu o impacto fiscal do plano.

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, avalia que o regime de drawback — que já é amplamente utilizado — poderia ser flexibilizado temporariamente para permitir a venda de produtos no mercado interno. A proposta, segundo ele, traria alívio às empresas em curto prazo, diante do represamento das exportações afetadas.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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