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Moraes diz que decisão contra Bolsonaro foi tomada durante um jogo do Corinthians

Moraes revelou que a decisão de decretar a prisão domiciliar de Bolsonaro foi tomada enquanto Moraes assistia a uma partida de futebol do Corinthians.
Alexandre de Moraes durante o julgamento de Bolsonaro (Foto: Fellipe Sampaio/STF)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, afirmou que o julgamento de Jair Bolsonaro, marcado para 2 de setembro, ocorrerá independentemente das sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos. Em entrevista exclusiva publicada nesta segunda-feira (18) pelo The Washington Post, Moraes disse que “não há a menor possibilidade de recuar um milímetro sequer” diante das acusações sobre a suposta tentativa de golpe de Estado.

A entrevista também revelou que a decisão de decretar a prisão domiciliar de Bolsonaro foi tomada enquanto Moraes assistia a uma partida de futebol do Corinthians, na noite de 3 de agosto (relembre aqui). Segundo ele, o jogo “não era particularmente bom, mas era uma distração útil” diante da pressão internacional. A detenção foi determinada após o ex-presidente, de acordo com o STF, violar restrições de acesso às redes sociais durante manifestações.

Lei Magnitsky e embate com o governo Trump

No mesmo final de semana em que se tornou alvo das sanções previstas na Lei Global Magnitsky (entenda a lei), o ministro foi à Neo Química Arena, em São Paulo, para acompanhar um clássico entre Corinthians e Palmeiras. No estádio, Moraes reagiu a xingamentos da torcida com um gesto obsceno, gesto que gerou repercussão nas redes sociais.

O ministro classificou como “não agradáveis” as sanções aplicadas pelos Estados Unidos no dia 30 de julho, e atribuiu a responsabilização ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Segundo Moraes, as medidas foram motivadas por “narrativas falsas sustentadas por desinformação disseminada por essas pessoas nas redes sociais”, o que teria envenenado a relação bilateral com o governo Trump.

Apesar do desgaste, o ministro declarou ao jornal norte-americano que continua admirando os Estados Unidos. Na porta de seu gabinete, mantém o preâmbulo da Constituição americana emoldurado. “Todo constitucionalista tem grande admiração pelos Estados Unidos”, afirmou.

Reações e bastidores no Supremo

O Washington Post entrevistou 12 pessoas próximas a Moraes para traçar um perfil do ministro, incluindo amigos, colegas e ex-integrantes do Judiciário. O jornal descreve o magistrado como “o jurista mais poderoso da história do Brasil” e “xerife da democracia”, ressaltando sua ascensão a partir de uma trajetória de classe média comum.

Entre as fontes ouvidas, há divergências sobre a extensão dos poderes de Moraes. Um membro do Judiciário, sob anonimato, afirmou que o inquérito das fake news — inicialmente restrito — acabou se expandindo sem delimitação clara. O ex-ministro do STF Marco Aurélio Mello também criticou os métodos adotados, dizendo que “foi uma investigação iniciada de forma errada”.

“Vacina contra o golpe”

Durante a conversa, Moraes também comentou sobre o histórico brasileiro de rupturas institucionais. Segundo ele, a atuação do STF seria uma espécie de “vacina” contra a “doença” que representa o golpismo recorrente no país.

“O Brasil teve anos de ditadura sob Vargas, outros 20 anos de ditadura militar e inúmeras tentativas de golpe”, disse. “Quando você é muito mais atacado por uma doença, você forma anticorpos mais fortes e busca uma vacina preventiva.”

Para Moraes, a dificuldade de compreensão por parte dos americanos decorre da ausência de golpes em sua própria história institucional. Ainda assim, reiterou que as investigações no Brasil não serão interrompidas: “Enquanto houver necessidade, a investigação vai continuar”.

A reportagem completa está disponível no site do The Washington Post.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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