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Defesa de Bolsonaro aponta nulidades e nega vínculo com atos golpistas

Segundo a defesa de Bolsonaro, a acusação se sustenta em uma delação premiada que seria, em parte, "falsa", além de provas "incompletas".
Defesa de Bolsonaro, Celso Sanchez Vilardi (Fotos: Rosinei Coutinho/STF)

O advogado Celso Vilardi, responsável pela defesa de Jair Bolsonaro, iniciou a sustentação oral no julgamento que apura a atuação do ex-presidente em uma suposta tentativa de golpe de Estado.

Segundo ele, a acusação se sustenta em uma delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência, que seria, em parte, “falsa”, além de provas “incompletas” e “acessadas fora do prazo legal”. Vilardi afirmou que não há “uma única prova” que vincule Bolsonaro aos episódios investigados — entre eles, a chamada “minuta do golpe”, a Operação Luneta e os atos de 8 de janeiro.

“O presidente foi dragado para esses fatos”, declarou Vilardi, ao defender que não houve, por parte de Bolsonaro, qualquer atentado contra o Estado Democrático de Direito. Ele classificou como “inacreditável” a sucessão dos eventos que se seguiram à delação e à descoberta de documentos em celulares e computadores apreendidos pela Polícia Federal.

Críticas à condução do processo contra Bolsonaro

O advogado argumentou que a delação, além de conter omissões e contradições, está sendo aproveitada de forma seletiva pela acusação. “O que se pretende aqui é reconhecer a parcial falsidade da delação e, ainda assim, usá-la para diminuir a pena. Não é isso que prevê o legislador”, afirmou.

Vilardi também questionou a integridade do material fornecido ao longo da instrução penal. Segundo ele, a defesa de Bolsonaro teve acesso fragmentado a parte dos 70 terabytes de documentos apreendidos — alguns deles recebidos apenas após o início das audiências.

Mauro Cesar Barbosa Cid e Dr. Cezar Roberto Bitencourt (Foto: Ton Molina/STF)

“São milhares de arquivos, conversas de WhatsApp, agendas, planilhas, documentos dispersos em dezenas de computadores e celulares. Tivemos acesso parcial e com falhas, como no caso dos arquivos do general Mario Fernandes”, afirmou o advogado.

Ele sustentou que, apesar de a Polícia Federal e o Ministério Público Federal terem tido “anos” para analisar o material, a defesa recebeu boa parte dele somente às vésperas das audiências, sem tempo hábil para examiná-lo. “Em 34 anos de profissão, é a primeira vez que subo a uma tribuna sem conhecer a íntegra de um processo”, disse Vilardi.

Juízes auxiliares acompanharam sustentação

As sustentações orais foram acompanhadas presencialmente pelos juízes auxiliares Rafael Tamai e Luciana Sorrentino, que atuam no gabinete do ministro Alexandre de Moraes e foram responsáveis pela fase de instrução criminal das ações. Ambos conduziram a maior parte dos depoimentos de testemunhas de defesa e acusação, incluindo personagens centrais da investigação.

O julgamento ocorre na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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