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O bolsonarismo acabou, mas quem vai herdar o seus espólios eleitorais?

O bolsonarismo nasceu do antipetismo, surfou na raiva popular, encarnou o ressentimento nacional, e no fim, reviveu ele com a mesma força que outrora derrubou.
Jair Messias Bolsonaro em julgamento da denúncia do núcleo 1 da Pet 12.100. (Foto: Gustavo Moreno/STF) ao vivo

Desde o julgamento de Jair Bolsonaro, o bolsonarismo per si entrou em refluxo, denunciando seu gradativo fim. Um fim previsível, dado um Brasil governado pelo Centrão.

Sequência de derrotas, esvaziamento nas ruas, distanciamento de aliados, ruptura silenciosa de apoios, o grupo que um dia foi sinônimo de mobilização popular a partir de pautas populares, agora tropeça em denúncias.

Eduardo Bolsonaro é o novo eixo da crise. Denunciado pela PGR por coação no curso do processo – o processo, aliás, que trata-se da tentativa de golpe de Estado. Ação Penal 2.668. Paralelamente, o Conselho de Ética da Câmara abriu processo contra ele. Motivo: pedir sanção estrangeira contra o próprio país, atacar o Supremo, defender ruptura. Não por acaso, o presidente da Câmara, Hugo Motta, barrou a tentativa do PL de blindá-lo das faltas.

Não é só no campo jurídico-institucional, mas também na política miúda. O Centrão – esse ente pragmático e insaciável – fareja que o cheiro mudou, e já articula nomes para 2026 sem a alma bolsonarista. O discurso anti-Lula já não basta, e o clã Bolsonaro virou peso morto para um projeto de poder que exige estabilidade, verba e perspectiva de vitória, especialmente pro PL.

O próprio Donald Trump, até então aliado de primeira hora, surpreendeu ao elogiar a “excelente química” com Lula durante a Assembleia-Geral da ONU. Um elogio que, vindo de Trump, não é gratuito mas bem vindo para Lula. Manifestações contra anistia e blindagem parlamentar aconteceram em todo o país. O resultado foi expressivo, diga-se de passagem. O bolsonarismo reviveu o petismo, e ninguém deu mais “presentes” ao atual governo do que o passado.

O bolsonarismo nasceu do antipetismo, surfou na raiva popular, encarnou o ressentimento nacional, e no fim, reviveu ele com a mesma força que outrora derrubou. Entretanto, desde o 8 de janeiro o projeto agora é de sobrevivência, não poder político. Defesa, não ataque, ao passo da base ideológica virar base jurídica. Há quem acredite num retorno triunfal, num 2026 plebiscitário, num novo “mito” a ser refundado, mas não se acanhe caro leitor. O futuro é do Centrão, assim como o governo Bolsonaro foi, e o atual governo Lula tem sido. Somos livres serventes de um regime democrático sem exceção que mantém o luxo do judiciário, da classe política de Brasília e de toda uma corja que senta na Praça dos Três Poderes – claro, aqui não me estendo aos bons governantes.

Política, no Brasil, não perdoa vácuos


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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