Um adolescente de 14 anos foi agredido pelos próprios tios durante um show em Itanhaém, no litoral de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, os suspeitos são Cláudio Antonio Serroni de Oliva Junior, conhecido como “Dunga”, e João Paulo Costa de Oliva, irmãos do vice-prefeito da cidade, Zé Renato Oliva (União).
Conforme apurado, o caso aconteceu na madrugada de 18 de abril, durante apresentação do cantor Thiaguinho no Festival Celebra Ita, realizado no Parque Turístico Amazônia Paulista em comemoração aos 494 anos do município. O adolescente estava acompanhado da mãe, Patrícia de Lima Silva, e de amigos da família.
Em entrevista ao VTV News nesta semana, Patrícia afirmou que não presenciou o início da agressão, pois assistia ao show de costas para o local onde o filho estava. “Quando olhei, eu vi os dois tios. Um de um lado, outro do outro. Eles gesticularam, brincaram e eu pensei: ‘Ah, está tudo bem, né?’”, relatou.
Pouco depois, uma amiga da família percebeu que o garoto chorava após ter sido enforcado por um dos tios. “Ela foi lá, empurrou eles e disse que estavam machucando o meu filho. [O Dunga] se armou e foi dar um soco no menino, só que ela se pôs na frente e acabou tomando um soco na boca”, completou Patrícia.
Motivação
De acordo com a mãe, a agressão teria sido motivada por um desentendimento familiar envolvendo o pai do adolescente. Segundo ela, o garoto queria um cavalo para disputar provas de três tambores, modalidade de rodeio em que o competidor precisa contornar obstáculos com o animal no menor tempo possível.
“O pai falou que ia comprar e depois disse que não ia mais. O [meu filho] ficou bem chateado e começou a cobrar participação do pai na vida dele”, afirmou Patrícia. Ainda segundo ela, os tios aproveitaram o encontro no evento para repreender o sobrinho.
Após a agressão, houve empurra-empurra entre pessoas que estavam próximas e a equipe de segurança do evento foi acionada. Conforme o relato da mãe, o adolescente contou que os tios se aproximaram de forma amistosa, mas depois Dunga teria ameaçado matá-lo caso ele continuasse brigando com o pai.

Medidas protetivas
Dois dias após o ocorrido, Patrícia registrou boletim de ocorrência (BO) online. O caso foi encaminhado à Delegacia Seccional de Itanhaém como lesão corporal. Ela também solicitou medidas protetivas.
As medidas protetivas foram concedidas pela Justiça na última quarta-feira (22). Segundo decisão do juiz Lucas Costa Patto dos Santos, da 1ª Circunscrição Judiciária de Santos, os investigados deverão cumprir:
- proibição de se aproximarem do adolescente;
- proibição de manter qualquer tipo de contato com ele;
- extensão das restrições aos familiares da vítima.
O caso também foi encaminhado ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e ao Conselho Tutelar, que passarão a acompanhar a situação para resguardar a integridade do adolescente.
A Prefeitura de Itanhaém informou, em nota, que o episódio é de “natureza privada, envolve menor de idade e tramita sob segredo de Justiça, sendo tratado no âmbito familiar e jurídico”. Já a defesa dos investigados não havia sido localizada até a última atualização desta reportagem, mas o espaço segue aberto.