Um visitante indesejado vindo do outro lado do mundo foi identificado no litoral de São Paulo e passou a preocupar pesquisadores. A donzela-real (Neopomacentrus cyanomos), espécie nativa do Indo-Pacífico, foi registrada pela primeira vez em águas brasileiras e acendeu um alerta sobre os riscos à biodiversidade marinha da região.
Os registros ocorreram em áreas da Baixada Santista e em unidades de conservação, como a Laje de Santos, a Ilha da Queimada Grande e o Arquipélago de Alcatrazes. Especialistas destacam que a presença da espécie fora de sua área de origem pode provocar desequilíbrios ambientais, especialmente em recifes de coral.
Possível chegada da espécie no Brasil
Pesquisadores avaliam que a chegada do peixe ao litoral brasileiro esteja relacionada ao descarte de água de lastro de navios, prática comum no transporte marítimo internacional. Esse processo pode levar organismos vivos de uma região para outra, favorecendo a introdução de espécies não nativas.
O biólogo marinho Eric Comin, responsável por identificar os cardumes, afirma que a donzela-real já apresenta sinais de reprodução na região. Segundo ele, o acompanhamento contínuo é fundamental para entender se a espécie conseguirá se estabelecer de forma definitiva nos ecossistemas locais.

Impactos e monitoramento ambiental
A donzela-real costuma ser encontrada entre 5 e 30 metros de profundidade, onde forma cardumes que podem ir de poucos exemplares a grupos numerosos. A espécie se alimenta principalmente de zooplâncton e apresenta comportamento territorial, sobretudo durante o período de reprodução, o que pode aumentar a disputa por espaço e alimento com peixes nativos e comprometer o equilíbrio dos recifes.
Embora os impactos ainda estejam sendo analisados, especialistas alertam que a formação de grandes cardumes pode alterar a dinâmica do ambiente marinho. Por isso, pesquisadores defendem o fortalecimento do monitoramento ambiental e a participação de mergulhadores e instituições científicas para mapear a expansão da espécie no litoral brasileiro.
Vale ressaltar que pesquisadores também contam com o apoio de mergulhadores e praticantes de atividades náuticas, que podem ajudar no mapeamento da espécie ao relatar avistamentos.