Aos 8 anos, Áurea Bravo Munhos já precisou enfrentar situações que estão muito distantes da rotina de uma criança. Moradora de Santos, no litoral de São Paulo, ela passou por quimioterapias, cirurgias e uma longa batalha contra um câncer extremamente raro. Em julho, precisou ter o braço direito e parte do ombro amputados para tentar conter o avanço da doença.
A cirurgia aconteceu depois que o tumor voltou de forma mais agressiva, apenas dois meses após a família receber a notícia de que a menina estava em remissão. Os médicos tentaram novos ciclos de quimioterapia, mas, diante da evolução do câncer, indicaram a retirada do membro como a alternativa considerada necessária para preservar a vida de Áurea.
Agora, enquanto continua em tratamento e se adapta à nova realidade, ela tem um objetivo que nasceu de uma conversa aparentemente simples: conseguir uma prótese que permita fazer atividades do dia a dia com mais autonomia. Mas o sonho da menina acabou ganhando uma dimensão maior e deu origem a um projeto que pretende desenvolver, no Brasil, uma prótese robótica que também possa beneficiar outras crianças.
Doença rara
A história começou em abril de 2025, quando a família percebeu um pequeno caroço no braço direito de Áurea. O local não doía e, inicialmente, os parentes chegaram a imaginar que pudesse ser algo relacionado a uma fratura que ela havia sofrido anos antes, mas continuou crescendo e levou a uma investigação médica.
Depois de exames e biópsias, Áurea chegou ao GRAACC, em São Paulo, em agosto de 2025. A suspeita inicial era de um osteossarcoma de partes moles, mas novas análises identificaram o diagnóstico de PEComa – tumor de células epitelioides perivasculares, uma doença rara que faz parte do grupo dos tumores de partes moles.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) explica que os sarcomas de partes moles são um grupo raro de tumores e que uma massa ou nódulo de crescimento progressivo, mesmo sem dor, merece investigação e encaminhamento para um serviço especializado. Em crianças e adolescentes, o câncer possui características diferentes das observadas nos adultos, e o diagnóstico precoce é importante para o tratamento. Entenda a seguir:
Amputação
Durante o primeiro tratamento, Áurea passou por seis ciclos de quimioterapia e três cirurgias. Em fevereiro deste ano, veio a notícia que a família esperava: o câncer estava em remissão. Para comemorar, eles viajaram para Porto Seguro, na Bahia, e chegaram a retirar o cateter utilizado durante o tratamento.
Infelizmente, a esperança durou pouco. Em abril, a família percebeu um novo caroço na região da axila. Nas semanas seguintes, o tumor também voltou a crescer próximo ao cotovelo, justamente na região em que a doença havia começado. Novas tentativas de tratamento foram feitas – incluindo dois ciclos de uma quimioterapia mais intensa -, mas sem a resposta esperada.

Foi então que os médicos conversaram com a família sobre a necessidade de retirar o braço e parte do ombro. Para Giovana Bravo Munhos Santana Marques, irmã de Áurea, de 22 anos, a decisão foi dolorosa, mas a menina compreendeu o motivo do procedimento.
“Quando contamos para ela, a resposta foi: ‘Tudo bem, se isso acontecer é para eu ficar viva e bem’.”,
disse ao VTV News.
A amputação foi realizada em 20 de julho e, apesar da dimensão da cirurgia, Giovana conta que a irmã vem reagindo bem e não ficou debilitada. Ela continua sorrindo, brincando, caminhando e indo à escola, mas enfrenta dificuldades principalmente para realizar atividades que dependem do braço direito.
Sonho da prótese
Foi justamente pensando nessas limitações que surgiu a ideia da prótese. Depois da cirurgia, Áurea se lembrou de um primo que trabalha com robôs e perguntou se ele poderia tentar criar um equipamento para ela. O pedido da menina acabou dando início a um projeto que envolve Marcos Paulo e outros colaboradores.
A proposta é desenvolver uma prótese robótica personalizada, com recursos que não estão disponíveis em um equipamento convencional, cuja ideia é permitir, por meio de comandos, movimentos como abrir e fechar os dedos, ampliando as possibilidades de uso e dando à menina mais independência para atividades cotidianas.
Antes dessa etapa, porém, a família também busca uma prótese de apoio, que possa facilitar situações simples, como vestir uma roupa e sair de casa com mais conforto. O projeto robótico é estimado em cerca de R$ 200 mil e será desenvolvido no Brasil, embora algumas peças precisem ser adquiridas no exterior.
Saiba como ajudar
Para viabilizar o projeto, familiares e amigos criaram uma campanha de arrecadação. Atualmente, a Vakinha informa que R$ 124.738,69 já foram arrecadados, com a contribuição de mais de mil apoiadores. Segundo a família, qualquer valor doado ou mesmo o compartilhamento da campanha pode ajudar Áurea a se aproximar do objetivo de conseguir a prótese. Clique aqui para ajudar.
Mas tome cuidado com os golpes! De acordo com os familiares, esta é a única campanha oficial para arrecadar recursos para a prótese de Áurea.