Estudantes de escolas públicas e particulares de Santos estão recebendo orientações para identificar e enfrentar situações de violência digital. Desde segunda-feira (28), representantes da OAB percorrem unidades da cidade para conversar com adolescentes sobre riscos que fazem parte da rotina nas redes sociais, aplicativos, jogos e grupos de mensagens.
As atividades fazem parte do Dia D contra Violências Digitais. Em vez de apenas apresentar conceitos, as conversas usam situações próximas da realidade dos estudantes para abordar temas como fake nudes, deepfakes sexuais, exposição de imagens íntimas, assédio, ameaças, chantagem e aliciamento.
Segundo Juliane Cavaline, diretora adjunta de Inovação e Inteligência Artificial da OAB Santos, adaptar a conversa à idade dos alunos é essencial.
“Procuramos trabalhar com situações concretas, próximas daquilo que eles vivenciam nas redes sociais, nos jogos, nos aplicativos e nas relações entre os próprios colegas.”
Conversa muda conforme a idade dos alunos
A facilidade de crianças e adolescentes com celulares e aplicativos não significa, necessariamente, conhecimento sobre os perigos do ambiente digital.
Por isso, durante as visitas, a linguagem e os exemplos são adaptados à idade e à maturidade de cada turma.
“Quando eles conseguem se reconhecer nessas situações, fica muito mais fácil compreender onde estão os riscos, identificar uma situação de violência digital e perceber quando é necessário ter cautela ou pedir ajuda”, explica Juliane.
A mobilização estadual pretende alcançar mais de 40 mil estudantes, do 8º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio, em mais de 200 escolas.
Violência digital preocupa entre adolescentes
A discussão ocorre diante de dados que reforçam a necessidade de prevenção. Segundo estudo do Unicef, em parceria com a ECPAT International e a Interpol, 19% dos adolescentes brasileiros entre 12 e 17 anos foram vítimas de exploração ou abuso sexual facilitados pela tecnologia no período de um ano.
Além disso, 3% relataram que alguém utilizou inteligência artificial para criar imagens ou vídeos de conteúdo sexual com sua aparência.
Mais de 1,3 mil advogados e advogadas também passaram por capacitação para abordar o tema com adolescentes e saber como agir diante de uma eventual revelação de violência.
Trabalho continuará depois do Dia D
Em Santos, as ações não devem terminar com a mobilização desta semana. A OAB Santos e a Secretaria de Educação desenvolvem um trabalho contínuo nas escolas desde 2025.
Juliane acompanha o projeto desde o início e afirma que as próprias unidades de ensino passaram a procurar a entidade para solicitar novas conversas.
“São elas que nos procuram e pedem que a gente volte, porque identificam no dia a dia a necessidade de continuar falando sobre riscos da tecnologia, violência digital, letramento e consciência digital.”
Para a diretora adjunta, essa procura mostra que o assunto não pode ficar restrito a campanhas pontuais.
“O Dia D vem fortalecer uma iniciativa que já está acontecendo aqui em Santos e reforçar que esse não pode ser um assunto tratado apenas em ações pontuais.”
As visitas continuam nesta quarta-feira (30), com atividades previstas no Colégio Renovação, Colégio Porto Santista, Colégio Gratitude, Colégio São José, Anglo Santista, Colégio Pitágoras, ETEC Aristóteles Ferreira e Colégio Jean Piaget.
“A tecnologia muda muito rápido, os riscos também mudam, e a educação precisa acompanhar esse movimento. Estamos falando da formação e da proteção de uma geração que está crescendo no ambiente digital, e esse é um trabalho que precisa ser permanente”, completa Juliane.




