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Criança morre após picada de escorpião em zona rural de Atibaia

Óbito ocorreu após atendimento no Hospital Universitário de Bragança Paulista; autoridades reforçam alerta sobre riscos aumentados durante as férias
Criança morre após picada de escorpião em zona rural de Atibaia

Uma menina de 4 anos faleceu na noite de terça-feira (16), em decorrência de uma picada de escorpião registrada na zona rural de Atibaia, no interior de São Paulo. A vítima, identificada como Valentina Beltrame de Almeida, foi levada com urgência ao Hospital Universitário São Francisco, em Bragança Paulista, onde recebeu atendimento especializado, mas não resistiu às complicações provocadas pelo veneno. A morte foi confirmada por familiares.

De acordo com relatos obtidos pela reportagem, o socorro médico foi acionado imediatamente, e os protocolos de emergência foram seguidos. Ainda assim, o quadro clínico evoluiu de forma rápida e grave. Segundo o pai da criança, Anderson, houve atraso no efeito do antídoto.

“Ela só tinha 4 anos. Agora só existe na minha mente e no meu coração. Aqui a vida da minha filha foi ceifada, e com a demora do efeito do antídoto”, afirmou.

O caso de Valentina não é isolada, e acende um alerta nesta época do ano. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) confirmou o aumento nas ocorrências com escorpiões em 2025. Até 5 de agosto deste ano, foram registradas 22.850 notificações e um óbito confirmado no estado. No macro, segundo o Ministério da Saúde, mais de 111 mil casos e 132 mortes por escorpiões foram registrados no Brasil até julho de 2024.

A vítima, identificada como Valentina Beltrame de Almeida
A vítima, identificada como Valentina Beltrame de Almeida (Foto: Arquivo Pessoal)

Férias e ambiente doméstico aumentam riscos

Com o recesso escolar, crianças passam mais tempo em casa, o que pode elevar a exposição a locais com presença desses animais, como frestas, entulhos e jardins. A combinação entre calor, umidade e descarte inadequado de materiais orgânicos favorece a proliferação de escorpiões. Segundo a Coordenadoria de Controles de Doenças do Estado de SP, as crianças abaixo de 10 anos são o principal grupo de risco.

A recomendação de especialistas é que os responsáveis mantenham os ambientes limpos, vedados e organizados, além de inspecionar roupas de cama, calçados e brinquedos.

Segundo a médica dermatologista Flavia Prevedello, do Hospital Pequeno Príncipe, a picada de escorpião provoca dor intensa e rápida, podendo evoluir para complicações graves, especialmente em crianças com menos de cinco anos.

“A picada costuma ser única e extremamente dolorosa. Em crianças pequenas, a dor é desproporcional ao tamanho da lesão, o que ajuda a suspeitar do acidente”, explicou.

distribuição dos acidentes escorpiônicos segundo a região anatômica do acidente

Cuidado com as espécies

Segundo especialistas ouvidos pela redação, três espécies de escorpiões concentram a maioria dos acidentes registrados no Brasil, com destaque para o Tityus serrulatus (o escorpião-amarelo), amplamente disseminado no Sudeste e considerado o mais perigoso devido à sua alta toxicidade.

Já o Tityus bahiensis (escorpião-preto), embora menos letal, é comum em áreas rurais e urbanas do interior paulista e de outros estados do Centro-Oeste.

No Nordeste, predomina o Tityus stigmurus (escorpião-do-nordeste), espécie nativa da região que, apesar de originalmente restrita ao semiárido, já foi identificada também em algumas cidades do interior de São Paulo.

espécies de escorpião

Sistema estadual possui pontos de soro antiescorpiônico

A SES-SP mantém 228 Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno (PESAs) distribuídos pelo estado, com objetivo de reduzir o tempo entre o acidente e o atendimento especializado. As unidades estão equipadas para tratar casos de picadas por escorpiões, serpentes e outros animais peçonhentos.

O atendimento médico imediato é essencial. Entre os sintomas que exigem atenção imediata estão salivação excessiva, tremores, irritabilidade, taquicardia e dificuldade para respirar.

Segundo Arthur Jacques, médico generalista e formado pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), “o tempo de ação do soro anti-veneno é rápido. Geralmente com melhora importante do quadro após 1 a 4h após. O tempo de administração, deve ser sempre o menor possível. Sendo preconizado a administração dentre das primeiras 2h, sendo na primeira hora o ideal”

O especialista ainda comentou que a coleta do animal para verificação médica é útil e pouco desafiador no caso de escorpiões. No entanto, Arthur comentou que é possível obter fotos de qualidade do animal, não sendo necessário a exposição ao risco na hora da coleta. O uso do flash também é recomendado para dar maior clareza ao animal.

“Na ausência da possibilidade de fotos, eu indico capturar e levar o animal. Costumo indicar um pote de vidro, para poder visualizar o animal, sem correr o risco de ele se prender à tampa por exemplo, junto de um papel firme ou algo que seja firme e fino. Coloque o pote sobre o animal, passe o papel por baixo dele E vire. Uma vez no fundo do pote o escorpião não saltará ou escalará para fora”, comentou.

Prevenção em casos semelhantes

A principal orientação após a picada é procurar urgentemente um hospital especializado em animais peçonhentos, além de acionar o Samu (192) ou o Corpo de Bombeiros (193), ou ainda contatar o CIATox pelo telefone 0800 644 6774, disponível para emergências e dúvidas toxicológicas.

  • Como medida de prevenção, autoridades de saúde e especialistas recomendam manutenção rigorosa da higiene doméstica, vedação de ralos e frestas, armazenamento adequado de roupas e calçados, e o afastamento de camas e berços das paredes.

  • Evitar o acúmulo de folhas e restos de materiais de construção é considerado essencial.

  • O painel estadual de monitoramento dos acidentes está disponível para consulta pública no site https://nies.saude.sp.gov.br/ses/publico/peconhentos, com atualização semanal dos dados por tipo de animal.

  • Para os profissionais da saúde, levar o animal ou uma foto pode auxiliar no diagnóstico, mas não é necessário capturá-lo.

  • A única medida recomendada antes do atendimento é aplicar compressa fria no local da picada, evitando qualquer tipo de automedicação ou procedimento caseiro.

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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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