A 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente acontecerá em Brasília no dia 6 de maio. Entre os 70 delegados eleitos para representar São Paulo, está Vitor Hugo Penedo, de Paulínia. Ele foi escolhido na etapa estadual do evento, realizada na USP, onde os participantes definiram as principais propostas ambientais do estado.
Técnico em meio ambiente e coordenador da Brigada Popular Cachorro do Mato, Penedo atua no combate a incêndios florestais e na promoção da educação ambiental.
Em entrevista à VTV, ele destacou a importância da brigada, formada por voluntários. “De iniciativa popular, a brigada trabalha no combate a incêndios florestais e em ações de conscientização”, afirmou.
O Vitor Hugo relembrou sua atuação na Serra dos Cocais, em Valinhos, durante a temporada de queimadas de 2023. O incêndio levou a prefeitura a decretar situação de emergência após o fogo consumir 270 mil metros quadrados de vegetação.
“Quando você tá entrando na mata para apagar o fogo, repara nos animais fugindo, foi bem impactante. Mas daí lembramos o nosso treinamento, tanto a parte teórica quanto a prática”, relatou.
A 5ª Conferência Estadual do Meio Ambiente foi realizada na USP no dia 12 de março, onde foram eleitos 70 delegados para representar o estado na etapa nacional. Os participantes da conferência trabalharam em 34 grupos de trabalho para definir 38 propostas prioritárias. Dessas, 20 foram selecionadas por votação no plenário para integrar a pauta da Conferência Nacional.
Propostas com foco na região de Campinas
Penedo destacou que as propostas com foco no combate ao incêndio na região deverão ser tratadas durante a conferência.
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“Algumas propostas ali tratavam justamente do fortalecimento das brigadas populares, o que é importante para a região. Durante o período de queimas, o corpo de bombeiros não dava conta sozinho; então propostas nessa linha para mitigar queima são importantes”
Além disso, ele pontuou que na região de Campinas onde trabalhou como voluntário na comunidade do Menino Chorão, e sentiu falta de saneamento básico e acesso à água: “Dentro das propostas no que tange às questões ambientais, isso também estará inserido”
Sustentabilidade com profundidade ou só no discurso?
Na década de 1970, Arne Naess diferenciou entre “ecologia rasa“, que acreditava que a indústria e a sociedade poderiam resolver os problemas ambientais superficiais, e “ecologia profunda“, que defendia que apenas uma mudança substancial no comportamento humano poderia evitar danos irreparáveis.
Embora o termo “ecologia” tenha sido substituído por “sustentabilidade“, as questões permanecem relevantes para as mudanças climáticas.
“O que eu espero é que esses temas propostos sejam tratados com profundidade, tanto por ter uma participação popular, e a sociedade civil estar ali de fato. Eu vejo que esse tensionamento às discussões mais profundas são feitas pela sociedade civil de fato”, comentou Penedo quando questionado se as propostas serão levadas a diante, ou se ficarão na “ecologia rasa”
A edição deste ano da conferência ocorre em um cenário de agravamento da crise climática. O ano de 2023 foi o mais quente da história, e o estado de São Paulo registrou mais de 200 mil autos de infração ambiental desde 2017, com Campinas concentrando 9,32% das ocorrências. O evento reunirá propostas para enfrentar os desafios ambientais do país.